O 11º Fórum Regional de Cooperação e Desenvolvimento do Grande Delta do Rio das Pérolas (GDRP) foi realizado nos dias 25 e 26 de agosto em Guangzhou, na província de Guangdong. Para além de serem realçados os avanços económicos de Guangdong nos últimos anos, foi colocado um foco sobre as zonas de comércio livre (ZCL) da província e o seu papel no desenvolvimento da economia.
As ZCL de Guangdong, integrando as três zonas francas da Nansha New Area em Guangzhou, da Zona Industrial de Qianhai e Shekou em Shenzhen e da Área Hengqin de Zhuhai, foram oficialmente abertas em 2015. Surgiram apenas três anos após o presidente Xi Jinping ter observado Guangdong e apontado que a criação de zonas-piloto poderia ser a nova motivação económica da província.
Guangdong é uma das bases mais importantes da China para o comércio internacional, e as três zonas contribuíram para melhorar a infraestrutura em portos e cadeias logísticas, assim como para promover políticas preferenciais para impulsionar o comércio eletrónico transfronteiriço. As ZCL também construíram incubadoras de inovação para tirar partido da sua proximidade às regiões administrativas especiais de Hong Kong e Macau, tentando atrair mais profissionais de excelência e incentivar mais startups inovadoras.
A Zona De Comércio Livre de Nansha em Guangzhou abrange 60 quilómetros quadrados e é a maior ZCL em Guangdong. O distrito de Nansha situa-se no estuário do Rio das Pérolas e à margem do rio, o que inspirou o Comité de Gestão da ZCL de Nansha a melhorar os serviços portuários integrados e a promover os transportes de mercadoria de alta qualidade.
O futuro desenvolvimento da Zona de Comércio Livre de Hengqin em Zhuhai terá uma orientação financeira. A área situa-se a apenas 187 metros da fronteira com Macau. Uma vez que a economia macaense é inteiramente dependente do jogo, em 2015 o Conselho de Estado tomou a decisão de tornar a ZCL de Hengqin uma área financeira especial para assegurar maior estabilidade. Outro aspeto especial de Hengqin é que a ZCL segue a política de “um país, dois sistemas”. O campus de Hengqin da Universidade de Macau segue as leis e políticas do capitalismo e é gerida diretamente pelo governo de Macau.
Em 2009, o governo de Macau queria expandir a sua universidade mas não possuía nenhum local para construir um novo campus, por isso alugou um terreno em Hengqin num contrato de arrendamento de 40 anos. O campus de Hengqin da Universidade de Macau entrou em funcionamento em 2013, abrangendo mais de 82 hectares, 20 vezes o tamanho do antigo campus em Macau. Estudam aí atualmente cerca de 10.000 alunos, o que também oferece motivação e recursos para a incubadora de inovação de Hengqin.
Comparada com as ZCL de Nansha e Hengqin, a ZCL de Qianhai e Shekou em Shenzhen deu outro passo em frente. O desenvolvimento em Qianhai começou em 2010, quase quatro anos antes de se tornar uma zona-piloto especial.
Apenas reconhecida como zona-piloto há cerca de um ano, a ZCL de Qianhai tem registado um crescimento impressionante, com o PIB da zona de janeiro a julho de 2016 a atingir os 20,8 mil milhões de yuans (3,11 mil milhões de dólares). Para além de ser uma janela experimental para a indústria financeira e centro de transporte internacional, a área tem dedicado grandes esforços para atrair investimento e profissionais de qualidade tanto da China continental como de Hong Kong. Em 2015, Zhu Baijia, uma startup focada na oferta de apartamentos de curta duração em países estrangeiros para viajantes chineses, recebeu um investimento ultrapassando os 700 milhões de yuans (104,8 milhões de dólares) após se ter estabelecido no Centro de Inovação de Qianhai.
A ZCL de Guangdong, intimamente ligada à iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, está a acompanhar os padrões internacionais e a estabelecer ligações com o mundo num ambiente orientado para o mercado e com uma base jurídica. As suas condições geográficas favoráveis e políticas acomodatícias ajudaram-na a tornar-se no baluarte do desenvolvimento de Guangdong.
Feng Chonglin