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Comunicação concertada

Os turistas parecem começar a visitar o território por outros motivos que não apenas o jogo. Analistas contactados pelo PLATAFORMA concordam que há mudanças e que essas se devem sobretudo às ações de promoção da cidade no exterior, mas defendem que ainda há muita coisa a fazer. 

Compras, gastronomia e património foram os três primeiros motivos que levaram os turistas ao território, no primeiro trimestre do ano, segundo o Índice de Satisfação dos Turistas de Macau. Estudiosos da área declaram ao PLATAFORMA que, apesar de já se notarem mudanças, ainda há muito a fazer até chegar à diversificação turística, referindo, por exemplo, que falta uma estratégia de comunicação concertada entre os diferentes operadores.

De acordo com o estudo publicado trimestralmente pelo Instituto de Formação Turística (IFT), as principais razões para a deslocação dos visitantes ao território foram as compras (25,9 por cento), a gastronomia (25,3 por cento) e os monumentos classificados como Património Mundial (18,4 por cento). Por seu turno, o jogo contou apenas com 10 por cento dos turistas, o que corresponde a menos 3,7 por cento do que no período homólogo do ano passado. 

Glenn McCartney, professor assistente do programa de Gestão de Hotelaria e Jogo da Universidade de Macau, defende que se notam já algumas mudanças, ainda que pequenas. “Há naturalmente mais segmentações — mais estadas durante o verão, mais visitas familiares ou de casais, temos muito mais disso”, diz ao PLATAFORMA. “O jogo continua a ser a atração primária e tudo gira à volta disso, mas começa a aparecer o lazer à volta do jogo. Inclui as compras, a gastronomia e o entretenimento familiar”, acrescenta o também proprietário de alguns estabelecimentos de lazer e de restauração em Macau.

Quanto à origem dos visitantes, o docente diz que o mercado principal continua a ser a China Continental e a região vizinha, apesar de se notarem “pequenos aumentos” em relação a outros países, como a Índia e a Coreia do Sul.

O docente acredita que as mudanças estão a surgir devido à crescente promoção do território no exterior, chegando a uma maior audiência. Ainda assim, Macau continua “a ser uma cidade assente no jogo”, vendo-se poucos movimentos positivos em setores como os da indústria das convenções e exposições (MICE, na sigla inglesa), que continuam “a não conseguir atrair” os grandes organizadores de eventos deste género.

Quanto ao que falta fazer, o docente declara que o tempo médio de permanência no território continua a ser pequeno. E realça que muito passa pela “falta de uma resposta conjunta em termos de estratégia de comunicação”, com os agentes turísticos a levar adiante diferentes ações de promoção. “Há um nível de confusão no que estamos a oferecer. Temos os hotéis e depois temos diferentes departamentos do Governo a fazer essa campanha. Não há uma ação comum”, declara. Quando isso mudar, o docente acredita que a duração da permanência dos visitantes “também irá aumentar”.

Além disso, Glenn McCartney refere que o Executivo “deveria definir metas”, salientando que a visão atual “parece não estar orientada em função de objetivos”.

Um novo perfil

A professora assistente do programa de Hospitalidade e Gestão de Jogo da Universidade de Macau, Amy So, acredita que já se veem mudanças no perfil de visitantes a deslocarem-se ao território, dado que há uma oferta turística mais diversificada. “Com mais resorts integrados e non-gaming facilities, acredito que haverá [mais] mudanças no tipo de visitantes”, diz ao PLATAFORMA.

E defende que o jogo começa a ser menos procurado em Macau, dado que “há maior concorrência na região”, levando a que os turistas se desloquem a outros sítios para esse efeito. Além disso, a docente universitária acredita que as operações de promoção da cidade levadas a cabo pela Direção dos Serviços de Turismo (DST) e pelos hotéis-resort têm “ajudado”.

No futuro, Amy So acredita que “o tipo de visitantes continuará a mudar”, com cada vez mais turistas a vir a Macau em busca de outras ofertas que não o jogo.

Para o diretor interno do programa de programa de Hospitalidade e Gestão de Jogo da Universidade de Macau, Desmond Lam, dada a crescente oferta de outros produtos que não os casinos, começam a ver-se “mudanças na proporção de visitantes que procuram lazer e entretenimento, contra os jogadores VIP, que continuam a afastar-se do território”. Assim, refere, os turistas vêm em busca de “compras, gastronomia e atrações culturais [grandes eventos]”, levando a que o jogo se transforme num subproduto ao invés “de o único produto que consomem em Macau”. 

Na opinião do docente, ainda que seja positivo diversificar o portfólio turístico, “há que não abandonar “a oferta em termos de jogo, no que toca aos segmentos de massa e VIP”, já que se tratam da “especificidade” do território. “O nosso enfoque no mercado de massas deve continuar, já que sustenta o posicionamento de Macau como centro mundial de turismo e lazer, mas devemos começar a desenvolver sinergias entre as nossas ofertas de jogo e não-jogo. Ambas são valiosas para o sucesso no futuro”, salienta.

Recorde-se que, segundo o Índice de Satisfação dos Turistas de Macau, olhando para cada uma das dez áreas relacionadas com o turismo, os eventos tiveram o nível mais elevado de satisfação (78,9 num total de 100), seguindo-se os transportes (74,2) e os casinos (72,9). Dos dez setores analisados, o património teve a pior pontuação.

Ainda de acordo com o estudo do IFT, entre Janeiro e Março, a maior parte dos visitantes veio da China Continental (68,5 por cento), Hong Kong (20,9 por cento) e Taiwan (5,5 por cento). Os inquiridos procedentes de outros países ou territórios da Ásia representaram 3,7% do total, enquanto os restantes eram oriundos de outros continentes.

O Centro de Investigação sobre Turismo do IFT começou a realizar este estudo no terceiro trimestre de 2009, altura em que a satisfação global dos turistas de Macau alcançou 70,4 pontos. Macau recebeu 7,45 milhões de visitantes entre janeiro e março. 

Luciana Leitão 

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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