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Evitar uma guerra comercial tripartida

A chanceler alemã Angela Merkel levou metade dos membros do seu governo e mais de vinte importantes empresários alemães numa visita oficial de três dias à China, entre 12 e 14 de junho. Esta visita de Merkel à China foi a nona desde que se tornou chanceler da Alemanha, fazendo dela a líder ocidental que mais visitas oficiais fez ao país. Contudo, esta tem sido descrita como uma visita extremamente difícil e sob grande pressão, devido a vários obstáculos como o dumping comercial e a produção de aço da China. Para além disso, a China tem feito fusões e aquisições de empresas alemãs a um ritmo praticamente semanal, nomeadamente empresas estrategicamente sensíveis como a empresa de robótica KUKA. Havia, nestes três dias, muitas questões por resolver.

No entanto esta visita de Merkel à China acabou por ser considerada uma “pedra basilar” para as relações sino-germânicas, tendo existido a esperança de que ela viesse a propiciar um desenvolvimento estável das relações bilaterais.

Para além do diálogo entre os dois líderes, membros dos governos de ambos os países também lançaram a 4ª ronda da Reunião Intergovernamental Sino-germânica, na qual participaram 26 responsáveis governamentais de ambos os países, planeando de forma exaustiva a cooperação China-Alemanha em todos os setores. Ambas as partes declararam unanimemente que irão continuar a implementar planos de ação cooperativos para cultivar novas forças de crescimento, acelerar as ligações estratégicas e dar um novo impulso à cooperação bilateral sino-germânica. Durante os diálogos, Li Keqiang afirmou que a União Europeia tem o dever de cumprir a sua promessa quanto ao estatuto de economia de mercado da China. O sucesso económico da China é universalmente reconhecido, e não existe o desejo de criar uma guerra comercial. Li afirmou que a China irá abrir ainda mais o seu mercado financeiro, irá continuar um país aberto ao exterior e a atrair os investidores estrangeiros. Merkel respondeu dizendo que a Alemanha não esqueceu a promessa da UE à China, referindo que o desenvolvimento da China é pleno de vitalidade e o país está também a assumir cada vez mais responsabilidades a nível internacional. A chanceler acrescentou ainda: “A Alemanha sempre esteve aberta ao investimento chinês, e espera nesse aspeto ter a reciprocidade da China.”

Na verdade, antes da visita de Merkel, havia já a notícia: Para evitar uma “guerra comercial” de larga escala, a Comissão Europeia reconheceu que o estatuto de economia de mercado da China, no âmbito dos padrões da Organização Mundial do Comércio, já se encontrava perto de um consenso, mas a China necessita ainda de convencer os legisladores da Comissão Europeia quanto à questão da sua produção de aço (assim como a existência ou não de dumping). Durante a conferência de imprensa, falando-se da existência de algumas vozes dentro da União Europeia que se opõem ao fim previsto para as medidas de países sub-rogados nas investigações de anti-dumping contra a China, Merkel afirmou que atualmente os processos anti-dumping são desfavoráveis, estando a UE a fazer esforços para encontrar soluções.

Para além disso, mais de vinte representantes de empresas chinesas e alemãs assinaram mais de vinte acordos de cooperação em mais de dez setores, representando um valor total de 2,73 mil milhões de euros.

Segundo a declaração conjunta divulgada após as reuniões, os dois países alcançaram 42 consensos, incluindo um apoio bilateral aos esforços no sentido de uma resolução pacífica e de acordo com a lei internacional das disputas territoriais e marítimas; a Alemanha reiterou a sua adesão à Política de uma China única e o seu apoio ao desenvolvimento pacífico das relações China-Taiwan; foram assinados acordos relativamente à construção de um mecanismo para a segurança na Internet, ao prosseguimento da implementação da Indústria 4.0 e à criação de um diálogo económico sino-germânico de alto nível, entre outros assuntos. Na conferência de imprensa após os diálogos entre os dois líderes, Li Keqiang afirmou que segundo o acordo de adesão da China à OMC, o artigo 15 deverá ser cumprido antes do final deste ano. Li referiu: “Nós não temos o desejo nem a esperança de criar uma guerra comercial, pois é algo que não seria favorável a nenhuma das partes, particularmente no contexto de uma fraca recuperação económica a nível mundial.”

Durante a conferência de imprensa, Li sublinhou que a China e a Europa não devem perder o controlo sobre as suas divergências, e em particular não devem deixar que as disputas económicas se alarguem e compliquem. A China e a Europa devem resolver os atuais conflitos de forma construtiva e apropriada, para assim fazer a ligação do plano Made in China 2025 e da Indústria 4.0 da Alemanha e incentivar os projetos empresariais dos dois países. Li expressou também a esperança de que a Alemanha e a UE possam resolver as disputas comerciais entre a China e a Europa de forma imparcial e apropriada, cumprindo de forma atempada a obrigação prevista no artigo 15 do acordo de adesão à OMC.

Terminaram os três dias da visita oficial, e as várias questões e pressões sobre Merkel pareceram ser dissipadas pela sincera vontade de resolução de ambas as partes. O desenvolvimento das relações bilaterais sino-germânicas já foi exposto claramente na declaração conjunta. Quanto à oferta de aquisição da empresa de robótica e automação KUKA por parte da empresa chinesa Midea pela quantia de 4,5 mil milhões de euros, o assunto é algo que já tinha sido decidido não ser levantado durante este encontro. Para além disso, Merkel já disse ser possível alcançar uma solução favorável quanto a esta questão. O sucesso mais crucial desta visita, todavia, é o facto de não vir a ocorrer uma guerra comercial. À luz desta premissa poderão ser resolvidos muitos conflitos de cariz comercial. Foi evitada uma guerra comercial tripartida.

David Chan Chi wa 

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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