A entrada do navio foi acompanhada por uma lancha da autoridade portuária e por um rebocador, que auxiliaram as manobras de ancoragem — e não de atracagem — com o objetivo de evitar qualquer risco de contaminação em terra.
A partir das 8 horas, já com luz do dia, teve início a operação de desembarque e transporte dos passageiros para o aeroporto de Tenerife Sul, situado a cerca de dez quilómetros do porto.
Segundo explicou no sábado a ministra espanhola da Saúde, Mónica García, os primeiros a sair do navio serão os 14 cidadãos espanhóis que viajavam a bordo. Estes serão encaminhados diretamente para um avião militar espanhol estacionado no aeroporto de Tenerife Sul, com destino a Madrid, onde ficarão em quarentena no Hospital Gómez Ulla.
Após os espanhóis, o desembarque será feito por nacionalidades, envolvendo 147 passageiros de 23 países diferentes, organizados em grupos de cinco pessoas. Na ilha já se encontram quase todas as aeronaves que assegurarão o repatriamento, faltando apenas duas, cuja chegada está prevista para este domingo.
Todo o processo de desembarque e repatriamento decorre em áreas reservadas e isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto de Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local. Também o percurso rodoviário entre o porto e o aeroporto será isolado, sendo utilizado transporte em veículos militares.
Tripulantes e passageiros só abandonarão o navio quando o avião respetivo estiver pronto para descolar, sendo conduzidos diretamente para a pista. O repatriamento está a ser realizado ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, com recurso a aviões de países da União Europeia e de Estados terceiros. Estados Unidos e Reino Unido já confirmaram o envio de aeronaves para transportar os seus cidadãos.
Leia mais: Reino Unido confirma terceiro caso suspeito de hantavírus
Os passageiros apenas poderão levar pequenos pertences pessoais, seguindo as bagagens no navio. Todas as pessoas envolvidas na operação utilizam máscaras e outros equipamentos de proteção individual. De acordo com as autoridades, não há atualmente passageiros ou tripulantes com sintomas da doença.
O corpo de uma passageira alemã, que morreu durante o cruzeiro e permanece a bordo, seguirá também para os Países Baixos.
A operação deverá prolongar-se até segunda-feira, cenário que já motivou críticas do Governo das Canárias. O presidente regional, Fernando Clavijo, afirmou que o acordo inicial previa uma duração máxima de 12 horas, com conclusão até ao final da tarde de domingo.
No navio deverão permanecer 43 membros da tripulação, que retomarão a viagem na segunda-feira com destino aos Países Baixos, país onde está registada a propriedade do MV Hondius e onde se encontra sediado o armador.
No sábado, a Organização Mundial da Saúde classificou todas as pessoas a bordo do navio como “contactos de alto risco”, recomendando vigilância clínica durante 42 dias. Segundo a OMS, há seis casos confirmados de hantavírus associados ao cruzeiro, incluindo três mortes, embora o diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, tenha afastado o cenário de “uma nova covid”, sublinhando que o risco atual para a saúde pública permanece baixo.