PORTO DO LOBITO LIGA A ÁFRICA AUSTRAL - Plataforma Media

PORTO DO LOBITO LIGA A ÁFRICA AUSTRAL

 

As infra-estruturas modernas do Porto do Lobito, em Benguela, inauguradas em 2014, são encaradas pelo Governo angolano como um impulso estratégico não só para o desenvolvimento da economia da região centro e sul de Angola, como também dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) sem acesso ao mar, através do Caminho-de-Ferro de Benguela.

 

As infra-estruturas inauguradas pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, fazem deste porto o maior de Angola e vem atender a necessidade da criação de condições de desenvolvimento económico do país e das regiões ricas em minerais na República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia, integradas no Corredor do Lobito.

No Lobito, o Presidente da República inaugurou o terminal mineiro com capacidade para movimentar 3,6 milhões de toneladas de carga/ano, o terminal de contentores e o Porto Seco.

Trata-se de um projecto estruturado para criar benefícios a montante e a jusante, consistindo, não só na exportação de minérios das minas de Katanga e na RDCongo, mas também na promoção das potencialidades socioeconómicas das províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico, servidas pelo sistema de transporte do Caminho-de-Ferro de Benguela.

O investimento realizado nesta infra-estrutura de transporte está avaliado em um bilião e 250 milhões de dólares, o que representa um porcento do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola.

O Porto do Lobito, através da Plataforma Intermodal de Transportes, vai facilitar as trocas comerciais nas regiões limítrofes com as repúblicas Democrática do Congo e da Zâmbia e estabelecerá algumas ligações em determinados pontos fundamentais considerados de alta densidade populacional.

Com o relançamento do Corredor do Lobito, através do seu porto, caminho de ferro e sistema de logística, o desenvolvimento de Angola, sobretudo na região centro sul, está assegurado, bem como as relações com o mercado internacional.

Actualmente, o Porto do Lobito emprega dois mil e 200 trabalhadores e é, tal como o Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e o Aeroporto Internacional da Catumbela, uma importante infra-estrutura de transporte que integra o Corredor do Lobito, facilitando o acesso ao mar às províncias do Huambo, Bié e Moxico, além das regiões da RDC e da Zâmbia, de onde serão exportados minérios através do CFB.

 

CAMINHOS-DE-FERRO

Relativamente a este subsector, destaca-se a construção da rede integradora de infra-estruturas logística que vai contribuir para o reforço das condições de operações dos transportes ferroviários, rodoviários e da operação logística.

O plano geral indicativo para a construção da rede nacional ferroviária, numa perspectiva de 10 mil a 10 mil e 600 quilómetros, prevê despesas avaliadas em 50 mil milhões de dólares. A rede ferroviária nacional vai unificar três linhas que ligam as regiões de Luanda-Malanje, Lobito-Luau e Namibe-Menongue, e vai criar outros três canais essenciais, nomeadamente o Norte/Sul e o litoral, Norte/Sul e o Centro e Norte/Sul e o Leste.

A perspectiva do seu prolongamento e a extensão para as regiões limítrofes com os países como a República Democrática do Congo, Zâmbia e Namíbia estabelecerá algumas ligações em determinados pontos de alta densidade populacional.

Nas ligações estarão definidos os pontos para a recepção da produção e a distribuição dos produtos, bem como o armazenamento dos vários serviços, por onde forem feitas a união da rede ferroviária associada com a rodoviária. A integração da rede ferroviária, rodoviária e a de Cabotagem Marítima são os pontos de partida para a expansão da rede ferroviária nacional.

A linha do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), numa extensão de mil e 344 quilómetros, já atingiu o município de Luau (Moxico) na fronteira com a vizinha República Democrática do Congo.

O CFB está dotado de infra-estruturas modernas. Esta empreitada, que implicou a reconstrução de 67 estações, permitirá uma velocidade máxima das composições de 90 quilómetros/hora, e serão transportadas 20 milhões de toneladas de carga/ano. Esta reabilitação e modernização do Caminho-de-Ferro de Benguela representa, para o Estado angolano, um investimento na ordem de 1,83 mil milhões de dólares.

 

REDE NACIONAL DE PLATAFORMAS LOGÍSTICAS

O ano de 2014 ficou marcado pela apresentação do projecto da futura rede nacional das plataformas logísticas, que estará sob dependência do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), que assumirá as funções de órgão regulador.

Esta função vem a propósito das acções e iniciativas que tem vindo a desenvolver há bastante tempo e na criação de várias plataformas logísticas e portos secos, que confirmam a vocação e experiência institucional.

Desde há muitos anos, o Porto Seco de Viana, uma importante infra-estrutura de logística de apoio ao Porto de Luanda, está ligado ao Caminho-de-Ferro de Luanda, o que permite descongestionar a área portuária na vertente do tráfego de contentores e tornar o porto mais rentável para a empresa pública que o gere.

Os recursos que o Estado aplica na construção das plataformas da rede nacional são frutos dos investimentos mais reprodutivos a curto, médio e longo prazos e o retorno virá através da criação de novas actividades, emprego e a melhor redistribuição do rendimento nacional, pois tenderá a alcançar maior número de empresas e uma parte mais significativa da população.

Dissociar a logística dos transportes é romper o elo fundamental da cadeia que liga a produção, distribuição e o consumo, ou seja, da cadeia de logística em que se funda o sistema logístico nacional, cuja importância estratégica é tão relevante que pode mesmo ser considerada como uma questão elementar dos superiores interesses do país.

As cadeias logísticas e os transportes são elementos fundamentais de ligação entre as infra-estruturas e as instalações de logísticas, para disponibilização de meios de carga, visando um maior fluxo de mercadorias e bens em todo o território.

A modernidade se encontra associada à competitividade das operações das empresas e da economia nacional, o que permite o escoamento de produtos nacionais aos mercados externos e aumenta as oportunidades de afirmação de Angola no mercado internacional, não apenas como potência económica emergente, mas também como plataforma continental em África.

Angola pode tornar-se em um verdadeiro “hub” regional, devido ao posicionamento geo-estratégico privilegiado dos portos nacionais, que, no futuro, será alavancado com as capacidades e a abrangência da Rede Nacional de Plataformas Logísticas, assim como através da permeabilidade territorial induzida pelas redes modais de transporte.

Esse processo decorre naturalmente com as vantagens comparativas superiores não despicientes em termos de concorrência com os outros países da sub-região austral do continente africano.

Muito já foi feito e ainda há por fazer, mas os sinais do Ministério dos Transportes agora apontam para a resolução gradual dos problemas com relação aos transportes públicos, como a melhoria dos transportes terrestres, aéreos, marinho e ferroviários.

 

Ângela Correia Cristina

Especial Angop

 

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