OBRAS DO METRO NO RIO DESCOBREM MILHARES DE PEÇAS ARQUEOLÓGICAS - Plataforma Media

OBRAS DO METRO NO RIO DESCOBREM MILHARES DE PEÇAS ARQUEOLÓGICAS

 

As cerca de 1.800 peças incluem porcelanas, pratos, tigelas, talheres, moedas, vidro e trilhos do bonde que funcionou nos bairros a partir de 1902.

 

metro-do-rio1Milhares de artefatos do final do século 19 e início do 20 foram encontrados em Ipanema e no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, durante escavações do Metro da Linha 4 que ligará a Barra da Tijuca, zona oeste, à Tijuca, zona norte. Esta é a segunda vez que milhares de peças são encontradas pela equipe de arqueologia contratada pelo Consórcio Linha 4 Sul. A primeira foi no ano passado ao lado da antiga estação da Leopoldina, centro da capital fluminense.

As cerca de 1.800 peças incluem porcelanas, pratos, tigelas, talheres, moedas, vidro e trilhos do bonde que funcionou nos bairros a partir de 1902. O coordenador da equipe que investiga a existência de artigos históricos no local, Cláudio Prado de Mello, explicou que os artefatos ajudarão a revelar detalhes desse período de ocupação da região, quando os bairros tinham cerca de 100 chácaras, de acordo com documentos históricos.

Até penicos foram encontrados, alguns com matéria orgânica no interior. Eles serão encaminhados para a Fiocruz (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil).

Obras_no_MetroO trabalho arqueológico começou em janeiro de 2013 e tem a fiscalização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e  Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). “O trabalho arqueológico continua até a inauguração do metrô, em 2016. Hoje mesmo estávamos dando uma entrevista quando encontraram um outro sistema do bonde”, disse.

Alguns utensílios estão intactos como peças de louça, porcelana e frascos de vidro. Até penicos foram encontrados, alguns com matéria orgânica no interior. Eles serão encaminhados para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para que passem por análise de paleoparasitologia.

“Vamos tentar descobrir as doenças que esse povo de 100, 200 anos atrás tinha”, disse o arqueólogo. “Será mais uma contribuição da ciência arqueológica para a médica. Isso pode engradecer e muito o conhecimento da parasitologia”, completou.

arq2Outra curiosidade é uma ampola de vidro com líquido translúcido ainda não identificado. Todo o material recolhido está acondicionado e será estudado e exposto em  trabalhos de educação patrimonial para a comunidade, como orienta o licenciamento ambiental, instituído pela Lei 6.938/81 e pela Resolução do Conama n° 237 de 19 de dezembro de 1997. Além disso, as peças serão organizadas e fotografadas para a produção de um catálogo.

O arqueólogo explicou que o aprofundamento da origem dos artefatos pode ajudar a estabelecer explicações para contatos entre sociedades diferentes, relações de comércio antes desconhecidas, Prado de Mello ainda tem esperanças de encontrar vestígios pré-coloniais na área. “Um sepultamento indígena, um acampamento indígena, do século 8, pois viviam ali as tribos Jaboracyá e Kariané”, explicou o arqueólogo.

 

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