REAÇÕES MORNAS A UMA VITÓRIA INEVITÁVEL - Plataforma Media

REAÇÕES MORNAS A UMA VITÓRIA INEVITÁVEL

 

Não existindo nada de surpreendente no processo, as reações à reeleição de Chui Sai On mantiveram o registo morno

 

A notícia da reeleição, no domingo, de Chui Sai On como chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau deu a volta a mundo e foi citada em jornais do Qatar, Filipinas, Coreia e Portugal. O que não deixa de ser estranho, por que, como sintetizou um dos eleitores, Neto Valente, não se esperava “nada de radical” nesta eleição. E tudo correu como estava previsto.

Fernando Chui Sai On, foi reeleito com 380 votos, entre os 396 possíveis, oriundos do reduzido colégio eleitoral que elege o chefe do executivo. “Esperamos que seja a última vez que se realiza uma eleição para o chefe do Executivo por parte de um pequeno círculo de pessoas”, disse, a propósito, Ng Kuok Cheong, da Associação Novo Macau,  que no dia da eleição organizou um protesto a associação junto das ruímnas de S. Paulo, que teve fraca adesão popular.

Candidato único ao cargo, Chui Sai On tinha a eleição assegurada, mas a lei eleitoral obriga à formalidade da votação pelos 400 elementos do colégio, representantes dos vários setores da sociedade local responsáveis pela escolha do chefe do Governo.

Além dos 380 votos em Chui Sai On, foram ainda registados 13 votos em branco e três nulos, sendo que quatro dos elementos da Comissão Eleitoral não execeram o seu direito de voto.

Há cinco anos, quando foi eleito pela primeira vez, Fernando Chui Sai On recolheu 282 dos 296 votos expressos, entre 300 possíveis, tantos quantos eram os elementos. De então para cá, o colégio foi alargado em 100 membros, o que permitiu ao candidato aumentar ligeiramente a sua percentagem  eleitoral.

“Com um aumento de 100 membros, não mudou nada na orientação da comissão eleitoral (e) a percentagem (de votos) desta vez até foi superior à da última votação”, disse Neto Valente, falando no domingo. “Isto é uma situação única em processos eleitorais. Macau tem um sistema próprio que é este. Não há nenhuma revolução eleitoral, não pode haver, porque é assim que as coisas são estabelecidas. Não se espera nada de radical com a eleição do chefe do Executivo”, concluiu o presidente da Associação dos Advogados.

 

PEQUIM ASSINALA “JUSTIÇA DO PROCESSO”

Para Pequim todo o processo que conduziu à reeleição de Chui “encarna plenamente os princípios da abertura, justiça e equidade”. Citado pela Agência Nova China, um porta-voz do Gabinete do Conselho de Estado para os Assuntos de Hong Kong e Macau considerou que processo “decorreu de acordo com a Lei Básica de Macau”.

Também o chefe executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, enviou uma mensagem de felicitações, na qual expressa o desejo de uma maior cooperação nas duas margens do rio das Pérolas.

“Espero que as duas partes continuem a avançar sob o princípio da cooperação e do apoio mútuos e que trabalhem em conjunto para alcançarem prosperidade e estabilidade nas duas regiões administrativas especiais, bem como em toda a região do delta do Rio das Pérolas”, desejou Leung.

Para o processo eleitoral idêntico de Hong Kong, a China garantiu que, em 2017, pela primeira vez, o chefe do executivo será eleito por sufrágio direto, mas os candidatos terão de ser nomeados por um “comité largamente representativo” do território. Esta solução não foi descartada pelos que, em Macau, exigem o sufrágio direto.

“Neste intervalo, até aceitamos ter uma espécie de triagem para que eles possam perceber como lidar com eleições diretas, livres e justas e para que tenham tempo para se ajustar”, disse Scott Chiang, vice-presidente da Associação Novo Macau, sobre a possibilidade de aceitar o modelo proposto para Hong Kong.

 

REAFIRMAÇÃO DE PROMESSAS

Logo após a sua eleição,  o chefe do executivo de Macau, apresentou a reforma da Administração Pública como uma das áreas de maior atenção do seu Governo depois de ter classificado a habitação como uma “prioridade das prioridades”.

A intenção de reformar a máquina administrativa já tinha sido mencionada pelo Executivo mas nunca foi concretizada. “Esse é um dos trabalhos de prioridade no próximo ano, a simplificação na estrutura administrativa”, disse Chui Sai On, sem pormenorizar as suas ideias de reforma.

Uma dos possibilidades é a de criação de uma única estrutura, que englobe as duas atuais Direção de Serviços de Economia e Direção de Serviços de Turismo. “Não será que deve ser só um serviço público?”, questionou, antes de interrogar se a Direção dos Serviços para os Assuntos de Justiça deveria ter “maiores atribuições”.

Chui Sai On sugeriu ainda a criação de ações de formação para ensinar técnicas de retórica e liderançam na área da política e, no jogo propôs “disponibilizar mais formação” para que os trabalhadores “possam beneficiar de progressões na carreira”.

 

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