O Governo prevê investir cerca de 130 mil milhões de patacas em grandes projetos relacionados com a diversificação económica durante o Terceiro Plano Quinquenal, período em que pretende elevar para cerca de 60% do PIB o valor acrescentado das indústrias não ligadas ao Jogo.
As metas foram detalhadas pelo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, num artigo publicado esta semana na China Newsweek, no qual apresenta as principais linhas da estratégia de desenvolvimento socioeconómico de Macau para 2026-2030.
Para Lou Shenghua, os impactos económicos mais importantes do plano passam por “promover de forma substancial a diversificação adequada da economia”, “reduzir a dependência da indústria do Jogo”, “aproveitar Hengqin para ultrapassar as limitações de espaço” e “construir um sistema industrial moderno mais resiliente”.
A diversificação surge como uma das prioridades centrais da estratégia. Para a impulsionar, o Governo pretende reforçar o apoio político e financeiro às indústrias “1+4”, recorrendo ao Fundo de Orientação Governamental e a quatro grandes projetos como principais alavancas.
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Entre estes está a Cidade Universitária de Educação Internacional de Macau e Hengqin, cuja primeira fase deverá começar a funcionar ainda este mês. O Campus da Zona de Cooperação da Universidade de Macau deverá iniciar operações experimentais em 2028 e funcionar em pleno em 2029.
Outro eixo será o Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Macau, concentrado em tecnologia digital, biomedicina, circuitos integrados e tecnologia aeroespacial. O Governo aponta também para nichos como inteligência artificial, medicamentos inovadores, arquitetura RISC-V e serviços de dados aeroespaciais.
O plano inclui ainda a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados, onde serão desenvolvidos o Museu Nacional da Cultura de Macau, o Centro Internacional das Artes Performativas e o Museu Internacional de Arte Contemporânea.
O quarto projeto é o terminal de mercadorias do Aeroporto Internacional de Macau em Hengqin, que deverá iniciar operações experimentais no final deste mês e funcionar oficialmente no primeiro semestre de 2027. Na fase final, deverá ter capacidade para movimentar 300 mil toneladas de carga por ano.
Hengqin para “quebrar o impasse”
A integração com Hengqin ocupa um lugar central na estratégia. Sam Hou Fai considera que o desenvolvimento da Zona de Cooperação será determinante para “quebrar o impasse” da diversificação económica de Macau.
O objetivo é aprofundar a articulação de regras e mecanismos, melhorar as ligações e desenvolver uma maior complementaridade económica entre os dois lados. Até 2030, o Governo pretende que as indústrias de turismo cultural, convenções e exposições, comércio, big health, finanças, investigação tecnológica e produção avançada representem pelo menos 65% do PIB da Zona de Cooperação.
A estratégia prevê também uma maior integração na Grande Baía e o reforço da plataforma sino-lusófona, que deverá ser estendida aos países de língua espanhola, apoiando simultaneamente empresas de Macau e do Interior da China na exploração de mercados externos.
Entre os principais aspectos a acompanhar, Lou Shenghua aponta “o peso do PIB não relacionado com o Jogo”, “a concretização da integração Macau-Hengqin” e “a orientação dos investimentos do Fundo de Orientação, no valor de 20 mil milhões de yuans”.
O analista destaca ainda “a construção dos quatro grandes projetos”, “a concretização e a eficácia das quatro indústrias emergentes” e “as melhorias ao nível do emprego local e das condições de vida da população”.