“A emissão de 6 mil milhões de RMB apoia a diversificação ao aumentar a liquidez do mercado, criar instrumentos de dívida soberana de referência, atrair mais emitentes e reforçar o ecossistema do mercado obrigacionista local”, explica Lei ao PLATAFORMA.
A emissão poderá também reforçar a capacidade de Macau para operar entre diferentes mercados. O desenvolvimento do mercado obrigacionista, afirma o professor, pode abranger “emissão, liquidação e divulgação” e servir posteriormente como “plataforma financeira transfronteiriça entre a China e os PLP, tanto para investimento financeiro como para projetos de infraestruturas e sustentáveis”.
“As finanças foram identificadas como um dos pilares fundamentais no processo de diversificação económica de Macau”, afirma Lei. Para o professor, a emissão de 6 mil milhões de RMB contribui para esse processo ao “aumentar a liquidez do mercado, criar instrumentos de dívida soberana de referência, atrair mais emitentes e reforçar o ecossistema do mercado obrigacionista local”.
A emissão pode também ser vista como “um aval do Governo Central para apoiar Macau a desenvolver o seu setor de finanças com caraterísticas próprias”, acrescenta.
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A continuidade das emissões assume, neste contexto, particular importância. Este é o quinto ano consecutivo em que o Ministério das Finanças da China emite obrigações soberanas em Macau, uma regularidade que, segundo Lei, “demonstra continuidade das políticas e apoio sustentado do Governo Central ao desenvolvimento do setor financeiro de Macau”. “A consistência é, sem dúvida, tão importante como a dimensão da emissão”, acrescenta.
Uma ponte para investidores internacionais
“A emissão transmite uma mensagem forte de que Macau está a tornar-se uma plataforma de investimento offshore em RMB mais credível”, afirma Lei ao PLATAFORMA.
Para investidores da Europa, dos Países de Língua Portuguesa e de outros lugares, “Macau oferece acesso a ativos de elevada qualidade denominados em RMB numa jurisdição com perfeita mobilidade de capitais e baixa tributação, bem como fortes ligações tanto com a China como com os Países de Língua Portuguesa”.
O desenvolvimento contínuo do mercado obrigacionista poderá tornar Macau “cada vez mais atrativo como um lugar para ativos não denominados em dólares para quem procura oportunidades relacionadas com a China”.

É na possibilidade de criar fluxos financeiros nos dois sentidos que Lei identifica uma das consequências do desenvolvimento do mercado. “Esta emissão consolida substancialmente o papel de Macau como ponte financeira entre a China e os PLP”, afirma ao PLATAFORMA.
O reforço da capacidade de Macau em operações de dívida, abrangendo emissão, liquidação e divulgação, poderá posteriormente servir como “plataforma financeira transfronteiriça entre a China e os Países de Língua Portuguesa, tanto para investimento financeiro como para projetos de infraestruturas e sustentáveis”, segundo o professor.
“No futuro, pode facilitar os esperados fluxos de capital nos dois sentidos”, explica Lei. As empresas chinesas poderão “captar fundos tendo como alvo investidores dos Países de Língua Portuguesa”, enquanto “os investidores dos Países de Língua Portuguesa podem ter melhor acesso a ativos offshore denominados em RMB através de Macau”.
Para Lei, é esse potencial que pode “traduzir a posição de Macau como ponte, de caráter teórico, em operações financeiras transfronteiriças tangíveis”.
Um efeito além dos 6 mil milhões
O impacto da emissão dependerá, por isso, da capacidade de gerar atividade para além da própria dívida soberana. Para Lei, “um mercado obrigacionista mais desenvolvido pode criar um efeito multiplicador” sobre a economia através da expansão dos serviços financeiros.
“Além da emissão de obrigações soberanas, Macau pode atrair bancos, gestores de ativos, sociedades de advogados e de contabilidade, agências de notação e empresas de fintech [empresas que usam tecnologia moderna para oferecer serviços financeiros]”, afirma.
O desenvolvimento desse ecossistema permitiria a Macau “estabelecer-se como um polo mais amplo de serviços financeiros, com o RMB offshore e os Países de Língua Portuguesa como áreas de especialização”.
Para o professor, um mercado obrigacionista maduro poderá “reforçar a resiliência de Macau, alargar a sua base económica e ajudar a estabelecer os serviços financeiros como um motor de crescimento sustentável”, conclui.