O etomidato é um anestésico intravenoso de ação ultracurta, utilizado na indução da anestesia e em procedimentos de sedação. O Conselho Consultivo britânico sobre o Uso Indevido de Drogas (ACMD, na sigla em inglês) classifica-o como um fármaco de ação rápida utilizado clinicamente como anestésico.
O termo “petróleo espacial” é utilizado para designar o consumo não médico de etomidato, sobretudo através de produtos de vaporização. Segundo o ACMD, o etomidato foi identificado em cigarros eletrónicos e dispositivos de vaporização na Ásia, onde estes produtos são também conhecidos como “space oil” ou “kpods”.
Em Macau, as autoridades antidroga identificaram igualmente a utilização da substância em óleos para cigarros eletrónicos. O Relatório da Luta contra a Droga de 2024 refere que, desde o primeiro caso registado em 2023, foram detetados casos de etomidato sobretudo em óleo de cigarros eletrónicos. Em 2024, foi identificado um caso envolvendo 12,31 gramas desse produto.
A utilização recreativa de etomidato através de vaporizadores foi documentada inicialmente na Ásia. De acordo com a revisão do ACMD, o uso de produtos contendo etomidato em cigarros eletrónicos foi identificado na China em 2021 e, posteriormente, em Hong Kong, Taiwan e Singapura.
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O Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência de Macau explica que alguns produtos podem conter etomidato no óleo dos cigarros eletrónicos, dificultando a identificação da substância apenas pela aparência do dispositivo. A própria campanha de prevenção das autoridades identifica o etomidato como a substância associada ao termo “petróleo espacial”.
O fenómeno também envolve compostos quimicamente relacionados. Segundo o ACMD, depois da introdução de controlos sobre o etomidato em diferentes jurisdições asiáticas, foram identificados outros análogos em produtos apreendidos e em análises toxicológicas.
A inclusão do etomidato na legislação de Macau não é uma novidade de 2026. A Lei n.º 2/2025, publicada no Boletim Oficial em 23 de junho de 2025, acrescentou o etomidato, o metomidato, o propoxato e o isopropoxato à tabela II-C da legislação antidroga.
A alteração aprovada pela Assembleia Legislativa em agosto de 2026 acrescenta 13 novas substâncias às listas de controlo. Entre elas estão sete análogos do etomidato que ainda não estão sujeitos a controlo internacional, segundo o secretário para a Segurança, Chan Tsz King, citado pelo Macau Post Daily. O responsável afirmou que nenhuma dessas sete substâncias tem atualmente utilização médica.
As restantes seis substâncias incluídas na alteração passaram a estar sujeitas a controlo internacional por decisão da Comissão de Estupefacientes das Nações Unidas. Segundo Chan, Macau não as tinha ainda incluído na legislação local. A nova lei entra em vigor no dia seguinte à sua publicação no Boletim Oficial.
Os efeitos do etomidato ajudam a explicar a sua utilização não médica. Segundo o ACMD, a substância produz efeitos sedativos e tem um início e uma duração de ação rápidos. O uso não médico está também associado a efeitos adversos, incluindo sedação clinicamente significativa e alterações relacionadas com a produção de hormonas pelas glândulas suprarrenais.
Em Macau, a utilização da substância em cigarros eletrónicos tornou-se também uma questão de prevenção. As autoridades têm alertado para a presença de novas substâncias psicoativas em produtos de vaporização e para a dificuldade em identificar o seu conteúdo apenas pela aparência.
O tema tem sido incluído nas ações de sensibilização dirigidas a jovens. Em 2024, o Departamento de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência publicou material especificamente dedicado ao “petróleo espacial”, alertando para a possibilidade de o etomidato ser adicionado ao óleo dos cigarros eletrónicos.
A evolução da legislação de Macau acompanha a alteração das substâncias encontradas nos produtos ilícitos. Em 2025, a lei passou a controlar o etomidato e três dos seus análogos; em 2026, foram acrescentados mais sete análogos, além de seis substâncias sujeitas a controlo internacional.
O fenómeno não é exclusivo de Macau. A revisão do ACMD, atualizada em fevereiro de 2026, identifica a utilização não médica de etomidato em vários países asiáticos e o aparecimento de novos compostos relacionados.