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Paulo Rego – E NO FIM GANHA A ALEMANHA

 

Gostos não se discutem. Nem manias. Por muito grande que fosse o sonho com Portugal, por maior que fosse a fé – em segunda instância – migrada para o Brasil, apesar da esperança depositada na França e do gosto pela holandesa; mesmo com uma réstia de esperança na Argentina, já em despesero, lá tive de me vergar ao sucesso da Alemanha – com mérito indiscutível, diga-se – e ao sorriso que mais temia, que era o da vitoriosa Angela Merkel na tribuna de honra.

Reconheço o é hoje consensual entre os milhões de treinadores amadores que assistiram ao Mundial do Brasil. A  seleção de Joachim Löw apresentou o melhor conjunto de jogadores, a melhor organização tática, a melhor forma física, uma enorme capacidade psicológica e uma competência técnica a toda a prova. O melhor futebol, para ser curto e grosso. Tantas equipas, sonhos infindos e ambições desmesuradas, tantas contendas entre heróis e guerreiros de todas as nações… E, no fim, ganha a Alemanha. Não foi sempre assim, nem será. Mas desta vez foi sem surpresas, sem dó nem piedade, sem argumentos que possam atirar culpas ao árbitro, ao clima, à FIFA ou ao Papa… Ganhou a Alemanha porque foi mais forte, fez mais por isso e não encontrou pelo caminho ninguém capaz de fazer mais nem melhor.

A Argentina bateu-se bem, cai de pé. Teve até pelo menos duas oportunidades de marcar primeiro. Mas falhou. Mario Ghote, um miúdo de 22 anos, saltou do banco para dar a estucada final que Lionel Messi nunca sequer ameaçou dar. Aliás, é tudo menos consensual a atribuição da “bola de ouro” à estrela argentina, considerado o melhor jogador do torneio. Só no jogo da final, vi pelo menos um jogador argentino – Javier Mascherano – e dois ou três germânicos  – Thomas Müller, Bastian Schweinsteiger, Manuel Neur – que fizeram mais e melhor. Já para não falar de Arien Robin, que seria a minha escolha pessoal. Como a escolha é subjetiva, aparecem critérios de consolação, de marketing e outros que nem vale a pena perder tempo a escalpelizar. Fica Messi com a taça que não vale nada, porque o mundo do futebol não lhe reconhece esse mérito.

Portugal e Brasil, paixões de vida, de língua, de identidade, saem deste mundial de rastos. É certo que o anfitrião ainda chegou às meias-finais; mas com duas goleadas, sem apelo nem agravo, que jamais esquecerá. Por um lado é bom. Pelo menos troca de treinador e vai ter espaço para mudar de mentalidade, de jogadores, de estilo e de atidude. Vai tirar o salto alto, correr e jogar à bola, que é o que tão bem sabe fazer mas há muito se esqueceu.

Portugal tem menos gás para a renovação. Nem sequer troca de treinador, mantendo o seu estilo conservador e teimosia. Por outro lado, há muito que abandonou a formação dos miúdos, que levou Carlos Queirós ao título mundial com os sub-21, pelo que não se vislumbram fornadas de jogadores que façam esquecer Figo, Rui Costa e companhia. A seleção de Paulo Bento sai do Brasil resignada. Mas, pior do que isso, sai também inconsciente. Porque aceita a eliminação, ainda na fase de grupos, como se fosse uma inevitabilidade, e não como resultado de incompetência coletiva e de erros de um treinador que, desde logo, insistiu em 23 amigos com quem estava comprometido, alguns deles aleijados e muitos outros esgotados.

Filipe Scolari sai e, depois do vexame, quem vier terá carta-branca para mudar o que for preciso. Paulo Bento fica, o que quer dizer que tem carta-branca para, com toda a tranquilidade, mudar umas coisinhas para ficar tudo na mesma. É pena. Assim, nem sequer o futuro se ganha depois do fracasso.

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