A possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz está a gerar expectativa junto dos mercados internacionais. Embora as autoridades iranianas continuem a negar negociações diretas com Washington, responsáveis norte-americanos acreditam que um entendimento poderá ser alcançado nos próximos dias, reduzindo a tensão numa das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo consumido a nível mundial e desempenha um papel essencial no abastecimento energético da Europa e da Ásia. Qualquer interrupção da circulação de navios naquela zona traduz-se, normalmente, numa subida dos preços do petróleo e do gás natural, com impacto direto nos custos da energia e na inflação.
Em declarações ao nosso jornal, o economista João Duque, professor do ISEG, considera que um eventual entendimento entre Washington e Teerão teria efeitos positivos para a economia europeia.
“Seria claramente uma boa notícia para a Europa. A União Europeia continua muito dependente das importações de energia e qualquer sinal de estabilidade numa rota tão importante tende a reduzir a incerteza e a aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e do gás.”
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Segundo o especialista, os efeitos poderão refletir-se rapidamente nas empresas e nas famílias. “Quando diminuem os custos da energia, há impacto na indústria, nos transportes e também no consumidor final. Não significa que os preços baixem de imediato, mas reduz-se um fator importante de pressão sobre a inflação.”
Apesar do otimismo manifestado por responsáveis norte-americanos, o Irão mantém uma posição cautelosa. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano reiterou que Teerão não está a negociar diretamente com os Estados Unidos, explicando que os contactos decorrem através de Omã, país que tem assumido o papel de mediador entre as duas partes.
João Duque sublinha, contudo, que os mercados continuam atentos à evolução da situação e alerta que qualquer acordo terá de oferecer garantias de estabilidade para produzir efeitos duradouros. “Os investidores reagem muito às expectativas. Um anúncio de acordo pode ter um efeito imediato, mas, se houver novos incidentes militares ou bloqueios, essa confiança desaparece rapidamente. O que os mercados procuram é previsibilidade.”
Nas últimas semanas, a instabilidade no Estreito de Ormuz voltou a alimentar receios sobre o abastecimento mundial de energia, levando vários analistas a alertar para o risco de novas oscilações nos preços do petróleo. Um eventual entendimento entre Washington e Teerão poderá, por isso, representar um passo importante para a normalização do tráfego marítimo e para uma maior estabilidade dos mercados energéticos internacionais.