A passagem da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês está a gerar forte contestação por parte de ambientalistas e especialistas em conservação da natureza, que consideram existirem alternativas ao percurso escolhido para uma das etapas da prova.
A polémica incide sobre a etapa marcada para 13 de agosto, entre Vieira do Minho e as Termas do Gerês, que atravessa a Mata de Albergaria, uma das zonas ecologicamente mais sensíveis do único parque nacional português e integrada na Rede Natura 2000.
Em declarações à TSF, o presidente do Conselho Estratégico do Parque Nacional da Peneda-Gerês, Miguel Dantas da Gama, rejeitou que a insistência no percurso resulte de mera teimosia.
“Não é teimosia. É uma decisão consciente. Existiam alternativas e, mesmo assim, optou-se por passar pelo coração do Parque Nacional.”
O responsável considera que a escolha do trajeto coloca em causa os princípios de proteção da área classificada, alertando que o impacto não se resume à passagem dos ciclistas.
Leia mais: Suspensão do ciclista Ricardo Vilela chega aos dez anos, José Gonçalves vai cumprir quatro
“O problema não são apenas os atletas. Há toda uma caravana composta por dezenas de viaturas, motas, meios de comunicação, equipas de apoio e público, que inevitavelmente aumenta a pressão sobre um espaço particularmente sensível.”
Também várias organizações ambientalistas, entre as quais a ZERO, a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) e a FAPAS, manifestaram oposição à realização da etapa naquele local, defendendo que eventos desta dimensão devem evitar áreas com elevado valor ecológico. Algumas admitem mesmo promover ações de sensibilização durante a prova.
Apesar das críticas, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) autorizou a passagem da Volta a Portugal, impondo um conjunto de medidas destinadas a minimizar os impactos ambientais. Entre elas estão a limitação do número de veículos de apoio, restrições ao público em zonas consideradas mais vulneráveis e a proibição da utilização de meios aéreos durante a etapa.
O ICNF considera que o percurso utiliza uma estrada já existente e sujeita a circulação automóvel regular, defendendo que, com as condições impostas, os impactos poderão ser mitigados. Ainda assim, garante que acompanhará a realização da etapa para verificar o cumprimento das medidas definidas.
A controvérsia volta a colocar em confronto duas perspetivas distintas: por um lado, quem defende a promoção turística e desportiva de uma das paisagens mais emblemáticas do país; por outro, quem entende que a preservação do património natural deve prevalecer, sobretudo quando existem alternativas de percurso.