O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que uma nova ronda de negociações com o Irão terá início na segunda-feira (3), depois de decidir adiar um ataque contra a República Islâmica para privilegiar um acordo que ponha fim ao conflito, agora no sexto mês.
Trump disse aos jornalistas, no domingo, que as conversações abrangerão o Estreito de Ormuz – uma rota crucial para o abastecimento energético mundial que se tornou um dos principais pontos de discórdia na guerra – e, em última análise, a desnuclearização do Irão.
Por seu lado, o Irão afirmou estar próximo de alcançar um acordo com Omã sobre uma nova rota através do estreito, onde um navio petroleiro reportou uma explosão nas proximidades no domingo, sublinhando a persistente instabilidade naquela via marítima estratégica.
Os preços do petróleo recuaram na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira, após o anúncio de Trump, com o West Texas Intermediate (WTI) a cair 4.7%, para 80,72 dólares (70,04 euros) por barril.
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Washington e Teerão encontram-se em guerra desde 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques-surpresa contra o Irão, embora meses de contactos diplomáticos intermitentes tenham permitido períodos de relativa acalmia.
Após o recomeço dos ataques no mês passado, aumentaram os receios de uma nova escalada do conflito. Trump chegou a ameaçar atingir o Irão “com muita força” e, segundo notícias divulgadas na altura, ponderava novos ataques, incluindo contra infraestruturas energéticas, enquanto as embaixadas norte-americanas na região permaneciam em estado de alerta.
No sábado, porém, o Presidente norte-americano recuou nessa posição, afirmando que já existiam os “contornos” de um acordo.
“Neste momento, estamos a falar com eles através de negociações. Começam amanhã à tarde”, disse Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, sem revelar o local nem os participantes nas conversações.
O Presidente dos Estados Unidos afirmou que foi instado pelo Irão, bem como pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Qatar, a desistir dos ataques, que, segundo disse, teriam sido “o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial”. Os meios de comunicação estatais iranianos negaram que Teerão tenha pedido a Trump para não avançar com os ataques.
Um anterior acordo de cessar-fogo, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz, acabou por fracassar, tendo o Irão reforçado desde então o controlo sobre aquela passagem marítima.
No início do conflito, Trump justificou a guerra com a necessidade de travar o programa nuclear iraniano. Os países ocidentais acusam Teerão de procurar desenvolver armas nucleares, enquanto o Irão insiste que o programa tem fins exclusivamente civis.
“Troca de posições”
O deputado iraniano Hassan Ghashghavi, porta-voz da Comissão Parlamentar de Segurança Nacional, afirmou no domingo que os mediadores estão a tentar reativar o memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão alcançado em junho.
Esse acordo não tinha como objetivo estabelecer uma paz definitiva, mas servir de base para negociações sobre um entendimento mais abrangente, incluindo disposições relativas ao Estreito de Ormuz.
“Eles sabem que a questão principal e, na verdade, a chave neste momento é o Estreito de Ormuz. Sim, existe uma troca de posições”, afirmou Ghashghavi.
Numa publicação na rede social X, o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, escreveu: “Temos de nos esforçar para obrigar o inimigo a cumprir aquilo que assinou.”
Acordo com Omã?
Antes do início da guerra, todos os navios circulavam livremente pelo Estreito de Ormuz. Durante o conflito, porém, o Irão encerrou a passagem e insiste agora em manter o controlo sobre a navegação e em cobrar taxas de passagem, uma posição rejeitada pelos Estados Unidos.
Este desacordo esteve na origem da retoma dos ataques no mês passado, depois de Teerão se recusar a permitir que os navios utilizassem qualquer rota que não fosse junto à costa iraniana.
No domingo, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baqaei, afirmou à televisão estatal que está próximo um acordo com Omã, país situado na margem oposta do estreito, para definir uma nova rota de navegação.
“Estamos prestes a alcançar um entendimento sobre uma rota aceitável para ambas as partes – nem a rota norte, nem a sul, mas uma que respeite os direitos soberanos de ambos os lados e salvaguarde os nossos interesses nacionais e a nossa segurança”, declarou. Ainda assim, Baqaei sublinhou que esse entendimento não significará a reabertura do Estreito de Ormuz.
A empresa de monitorização do tráfego marítimo Kpler indicou na sexta-feira que o movimento de navios no estreito caiu significativamente.
No domingo, um petroleiro ao largo da costa de Omã comunicou ter ouvido uma explosão nas imediações, informou o centro United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), acrescentando que a embarcação e a tripulação se encontravam em segurança.