A orientação foi assumida pelo chefe do Executivo durante a sua primeira visita oficial à Europa, em abril de 2026. Em Madrid, Sam Hou Fai anunciou que o Governo da RAEM iria estender aos países de língua espanhola as funções da plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, procurando criar novas oportunidades de negócio e investimento, segundo o Gabinete de Comunicação Social (GCS).
A estratégia representa um alargamento da missão que Macau desempenha desde 2003 através do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau). Em vez de substituir essa função, o objetivo passa por aproveitar a experiência acumulada nas relações com o mundo lusófono para aproximar também a China dos mercados hispânicos, de acordo com a informação institucional do Fórum de Macau.
Um dos principais instrumentos já anunciados foi o Centro de Serviços para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola, lançado conjuntamente pelo Governo de Macau e pela Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin. O projeto é acompanhado por um fundo de desenvolvimento de mil milhões de yuan destinado a promover iniciativas empresariais e comerciais, segundo o Governo da RAEM.
A dimensão económica da estratégia começou igualmente a produzir resultados concretos durante a deslocação à Europa. Em Portugal e Espanha, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) organizou seminários de promoção económica e missões empresariais que resultaram na assinatura de 86 projetos de cooperação – 43 em Lisboa e 43 em Madrid -, além de 198 sessões de bolsas de contacto entre empresas. No conjunto da missão empresarial aos dois países, foram realizadas 220 sessões de bolsas de contacto e assinados 109 projetos, segundo o IPIM.
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A estratégia insere-se no objetivo de diversificação económica da região. O Governo pretende utilizar as vantagens de Macau – nomeadamente o sistema jurídico próprio, a utilização do português, a ligação histórica aos países lusófonos e a integração na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau – para prestar serviços de intermediação comercial, jurídica, financeira e linguística a empresas interessadas em operar entre a China, a América Latina e a Península Ibérica, segundo o GCS.
Até ao momento, os resultados anunciados concentram-se sobretudo na criação de novas plataformas institucionais, na constituição de mecanismos de financiamento, na realização de missões oficiais e na assinatura de acordos de cooperação. Não existem ainda dados públicos que permitam avaliar o impacto da estratégia em indicadores como o comércio bilateral, o investimento captado ou o número de empresas estabelecidas através destes mecanismos.
A estratégia de internacionalização entrou, assim, numa fase de implementação institucional. Os instrumentos de cooperação previstos já foram apresentados e algumas iniciativas foram formalizadas, mas o Governo da RAEM ainda não divulgou indicadores que permitam medir os seus efeitos económicos.