Cristiano Ronaldo aproximou-se do fim do ciclo na Seleção Nacional deixando uma pergunta para além das quatro linhas: como será Portugal sem aquela que se tornou a sua maior figura internacional?
Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), considera que a saída de Ronaldo representará um impacto profundo na imagem externa do país.
“Pode ser um bocadinho duro de dizer, mas do ponto de vista de marca, Ronaldo é incomparavelmente maior do que toda a seleção portuguesa e mais não sei quantas juntas”, afirmou à Lusa
Segundo Daniel Sá, a retirada do avançado da equipa nacional obrigará a FPF a preparar uma nova estratégia de comunicação e posicionamento. “Vai ser um drama quando ele sair, porque as pessoas ainda não têm a noção da atenção mediática que se perderá. Vamos cair numa escada rolante a grande velocidade”, alertou.
“É Ronaldo que faz a FPF ganhar muito dinheiro”
O responsável do IPAM recorda que Cristiano Ronaldo tem sido um dos principais motores da valorização comercial da Federação ao longo das últimas duas décadas. “É ele quem lhes faz rubricar vários contratos e ganhar muito dinheiro há mais de 20 anos”, sublinhou.
Leia mais: Primeira grande decisão de Jorge Jesus passa por Cristiano Ronaldo
Por isso, considera essencial que a FPF comece desde já a preparar a era pós-Ronaldo, apostando na criação de novas referências. “Fabricar ídolos é uma ferramenta poderosíssima na geração de atenção mediática.”
Para Daniel Sá, a federação não pode continuar dependente de uma única figura. “Acredito que a FPF estará a preparar uma narrativa diferente, porque não pode estar dependente de uma pessoa só e tem de exibir outro tipo de argumentos. Obviamente, há mais do que Ronaldo no futebol português, mas devem explorar bem essa nova estratégia.”
Uma marca que vai além do futebol
Cristiano Ronaldo, de 41 anos, disputou no Mundial de 2026 aquele que anunciou ser o último da carreira, tornando-se o primeiro futebolista a marcar em seis edições diferentes da competição. Portugal acabou eliminado nos oitavos de final pela Espanha, que viria a conquistar o título.
Apesar da despedida dos Mundiais, Daniel Sá acredita que a influência global de Ronaldo continuará a crescer, mesmo depois de terminar a carreira como jogador.
Segundo o especialista, a força da marca assenta em quatro pilares: o futebolista, o influenciador digital, o embaixador de marcas e o investidor. “Ao lado do jogador, há o Ronaldo influenciador, que é o maior do mundo e a pessoa mais seguida nas redes sociais, o Ronaldo patrocinado por várias marcas nacionais e internacionais e o Ronaldo investidor em múltiplas indústrias. Após deixar de jogar, essa marca continuará a crescer”, concluiu.