A interrupção de energia deixou milhões de pessoas sem eletricidade na Península Ibérica e desencadeou uma investigação coordenada pela Rede Europeia dos Operadores de Sistemas de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E).
O colapso resultou de uma combinação de falhas no controlo da tensão e de uma cascata de desligamentos na rede, não existindo evidências de que a elevada produção de energia renovável tenha sido a causa do incidente, segundo o relatório final publicado pela organização em março de 2026.
Uma das principais conclusões da investigação foi a necessidade de reforçar a capacidade das redes para responder a oscilações rápidas de tensão e melhorar os mecanismos de coordenação entre operadores nacionais. O relatório apresenta recomendações técnicas destinadas a aumentar a resiliência do sistema elétrico europeu, incluindo alterações nos procedimentos operacionais e melhorias na gestão da estabilidade da rede, de acordo com a ENTSO-E.
Em Espanha, algumas dessas medidas começaram a ser implementadas poucos meses após o incidente. A atualização do Procedimento Operacional 7.4 passou a permitir uma maior participação das centrais renováveis no controlo da tensão da rede, tendo a implementação sido concluída em março de 2026, segundo uma declaração conjunta da SolarPower Europe e de outras associações do setor.
Leia também: Portugal e Marrocos avançam com ligação elétrica. O que poderá mudar na segurança energética da Península
O apagão também reabriu o debate sobre as interligações elétricas da Península Ibérica com o resto da Europa. Atualmente, a capacidade de ligação continua abaixo da meta definida pela União Europeia para 2030.
Portugal e Marrocos anunciaram em julho de 2026 que irão solicitar apoio da Comissão Europeia para um novo projeto de interligação elétrica, cuja necessidade ganhou relevância após o apagão de 2025. A ligação pretende reforçar a segurança do abastecimento elétrico português através de uma nova conexão ao Norte de África.
A Comissão Europeia e os operadores europeus têm defendido há vários anos um aumento da capacidade de interligação entre Estados-membros para melhorar a segurança energética e facilitar a integração dos mercados de eletricidade. O incidente de abril de 2025 reforçou esse objetivo ao demonstrar o impacto que uma falha de grande dimensão pode ter num sistema altamente interligado.
O apagão teve igualmente impacto no debate sobre armazenamento de energia e modernização das redes. As recomendações centram-se sobretudo no reforço do controlo da tensão, na melhoria dos sistemas de proteção e na coordenação operacional entre operadores, mais do que na alteração da composição das fontes de produção elétrica, segundo o relatório final da ENTSO-E.
As conclusões da investigação afastaram também uma interpretação que ganhou visibilidade nos dias seguintes ao incidente. O apagão não foi provocado pela elevada penetração de energias renováveis, mas por uma sequência de problemas técnicos relacionados com o controlo da tensão e a resposta da rede às perturbações, de acordo com a ENTSO-E.
Mais de um ano depois, o apagão continua a servir de referência para a revisão das políticas de segurança das redes elétricas na Europa. As medidas adotadas desde então concentram-se no reforço da infraestrutura de transporte, na atualização dos procedimentos de operação e no aumento das interligações internacionais, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade do sistema perante futuras perturbações.