Início » Apagão de 2025 acelerou novos projetos energéticos? O que mudou desde então

Apagão de 2025 acelerou novos projetos energéticos? O que mudou desde então

O apagão que afetou Portugal e Espanha a 28 de abril de 2025 voltou a colocar a resiliência das redes elétricas no centro da política energética europeia. Desde então, vários projetos de reforço das interligações, modernização da rede e controlo da estabilidade do sistema avançaram ou ganharam novo impulso, embora as investigações tenham concluído que a falha não foi causada pela produção de energias renováveis

Plataforma

A interrupção de energia deixou milhões de pessoas sem eletricidade na Península Ibérica e desencadeou uma investigação coordenada pela Rede Europeia dos Operadores de Sistemas de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E).

O colapso resultou de uma combinação de falhas no controlo da tensão e de uma cascata de desligamentos na rede, não existindo evidências de que a elevada produção de energia renovável tenha sido a causa do incidente, segundo o relatório final publicado pela organização em março de 2026.

Uma das principais conclusões da investigação foi a necessidade de reforçar a capacidade das redes para responder a oscilações rápidas de tensão e melhorar os mecanismos de coordenação entre operadores nacionais. O relatório apresenta recomendações técnicas destinadas a aumentar a resiliência do sistema elétrico europeu, incluindo alterações nos procedimentos operacionais e melhorias na gestão da estabilidade da rede, de acordo com a ENTSO-E.

Em Espanha, algumas dessas medidas começaram a ser implementadas poucos meses após o incidente. A atualização do Procedimento Operacional 7.4 passou a permitir uma maior participação das centrais renováveis no controlo da tensão da rede, tendo a implementação sido concluída em março de 2026, segundo uma declaração conjunta da SolarPower Europe e de outras associações do setor.

Leia também: Portugal e Marrocos avançam com ligação elétrica. O que poderá mudar na segurança energética da Península

O apagão também reabriu o debate sobre as interligações elétricas da Península Ibérica com o resto da Europa. Atualmente, a capacidade de ligação continua abaixo da meta definida pela União Europeia para 2030.

Portugal e Marrocos anunciaram em julho de 2026 que irão solicitar apoio da Comissão Europeia para um novo projeto de interligação elétrica, cuja necessidade ganhou relevância após o apagão de 2025. A ligação pretende reforçar a segurança do abastecimento elétrico português através de uma nova conexão ao Norte de África.

A Comissão Europeia e os operadores europeus têm defendido há vários anos um aumento da capacidade de interligação entre Estados-membros para melhorar a segurança energética e facilitar a integração dos mercados de eletricidade. O incidente de abril de 2025 reforçou esse objetivo ao demonstrar o impacto que uma falha de grande dimensão pode ter num sistema altamente interligado.

O apagão teve igualmente impacto no debate sobre armazenamento de energia e modernização das redes. As recomendações centram-se sobretudo no reforço do controlo da tensão, na melhoria dos sistemas de proteção e na coordenação operacional entre operadores, mais do que na alteração da composição das fontes de produção elétrica, segundo o relatório final da ENTSO-E.

As conclusões da investigação afastaram também uma interpretação que ganhou visibilidade nos dias seguintes ao incidente. O apagão não foi provocado pela elevada penetração de energias renováveis, mas por uma sequência de problemas técnicos relacionados com o controlo da tensão e a resposta da rede às perturbações, de acordo com a ENTSO-E.

Mais de um ano depois, o apagão continua a servir de referência para a revisão das políticas de segurança das redes elétricas na Europa. As medidas adotadas desde então concentram-se no reforço da infraestrutura de transporte, na atualização dos procedimentos de operação e no aumento das interligações internacionais, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade do sistema perante futuras perturbações.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website