Portugal e Marrocos acordaram avançar com um projeto de interligação elétrica entre os dois países e vão solicitar à Comissão Europeia que o considere elegível para financiamento comunitário. A decisão foi anunciada esta segunda-feira (20), após um encontro em Lisboa entre a ministra portuguesa do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e a ministra marroquina da Transição Energética e Desenvolvimento Sustentável, Leila Benali.
Os dois governos pretendem que o projeto seja classificado como Projeto Importante de Interesse Comum Europeu (IPCEI, na sigla em inglês), estatuto que permite o acesso a mecanismos de cofinanciamento da União Europeia. Paralelamente, irão candidatar a infraestrutura ao programa europeu Connecting Europe Facility e lançar um processo de manifestação de interesse dirigido ao setor privado, incluindo operadores de redes e empresas de energia, de acordo com a Reuters.
Maria da Graça Carvalho afirmou que a futura ligação representa “um projeto importante para a Europa e também para África”, enquanto Leila Benali considerou a iniciativa “muito importante” para Marrocos, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.
A ministra portuguesa explicou que Portugal e Marrocos vão discutir o projeto com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Teresa Ribera, antes de avançarem com os pedidos formais de financiamento, de acordo com a Reuters. “Decidimos falar primeiro com a Comissão Europeia para perceber o seu interesse em considerar este um projeto europeu importante”, afirmou.
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A iniciativa ganhou novo impulso após o apagão que afetou Portugal e Espanha em abril de 2025. O incidente evidenciou a limitada interligação elétrica da Península Ibérica com o resto da Europa. Atualmente, apenas cerca de 3% da capacidade elétrica da Península está ligada aos países vizinhos, muito abaixo da meta de 15% estabelecida pela União Europeia para 2030, segundo a Reuters.
Uma ligação com Marrocos permitiria reforçar a segurança energética de Portugal, que atualmente depende exclusivamente da interligação com Espanha para trocar eletricidade com o exterior, acrescenta a Reuters.
Uma estimativa realizada em 2018 apontava para um custo de cerca de 800 milhões de euros, mas Maria da Graça Carvalho considerou esse valor desatualizado, devido à evolução dos custos de construção e das tecnologias disponíveis, segundo a Xinhua.
Para limitar o impacto financeiro sobre consumidores e contribuintes, Portugal e Marrocos pretendem combinar o financiamento europeu com investimento privado. “Não queremos sobrecarregar os contribuintes nem os consumidores”, afirmou Maria da Graça Carvalho, citada pela Reuters. Leila Benali acrescentou que os dois países procuram “reduzir os custos, em especial os relacionados com a acessibilidade da energia” para as populações e para diversos setores económicos.
Ainda não foi decidido se a interligação será feita através de um cabo submarino direto entre Portugal e Marrocos ou se recorrerá às infraestruturas já existentes entre Espanha e o país norte-africano, indicou a Reuters.
Os próximos passos incluem uma reunião em Bruxelas com representantes da Comissão Europeia e uma cimeira bilateral entre Portugal e Marrocos, prevista para o início de 2027, segundo a Xinhua.