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Delinquência juvenil cresce em Macau. Que papel têm as escolas, o desporto e o ‘bullying’?

Os casos de delinquência juvenil em Macau aumentaram 7.4% no primeiro semestre de 2026, com 87 ocorrências registadas, mais seis do que no mesmo período do ano anterior. As agressões simples foram o tipo de caso mais frequente, muitas associadas a conflitos entre jovens durante brincadeiras, atividades desportivas ou situações de 'bullying'

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Os dados divulgados pelas autoridades de segurança mostram que, apesar do aumento, a delinquência juvenil continua a representar uma pequena parcela da criminalidade registada em Macau.

Entre janeiro e junho de 2026, a agressão simples foi a ocorrência mais comum entre os casos envolvendo menores, com 46 registos, mais 11 do que no período homólogo de 2025. Muitos destes episódios resultaram de conflitos físicos entre amigos ou colegas, incluindo situações ocorridas durante brincadeiras ou atividades desportivas, segundo as autoridades.

O crescimento dos casos não representa, segundo as autoridades, uma alteração significativa do quadro geral de segurança pública do território, mas voltou a colocar em discussão a importância da prevenção junto dos jovens. A identificação precoce de comportamentos de risco, o acompanhamento escolar e a cooperação entre famílias, escolas e serviços públicos são apontados como elementos essenciais para evitar que conflitos pontuais evoluam para situações mais graves.

A escola surge como um dos principais espaços de prevenção, por ser um ambiente onde muitos problemas de relacionamento entre jovens podem ser detetados. Em Macau, a Polícia Judiciária e outros organismos públicos realizam regularmente ações de sensibilização sobre prevenção criminal, segurança pessoal e consequências legais de comportamentos violentos junto de estudantes.

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O bullying é uma das áreas associadas à violência juvenil, embora os dados oficiais não indiquem que seja a principal causa do aumento registado. As situações de intimidação entre colegas podem manifestar-se através de agressões físicas, ameaças ou exclusão social, exigindo intervenção precoce por parte das escolas e das famílias.

O regime jurídico de Macau prevê uma resposta específica para jovens infratores. A Lei n.º 2/2007, que estabelece o Regime Tutelar Educativo dos Jovens Infractores, aplica medidas de caráter educativo e de reintegração social para menores entre os 12 e os 16 anos que pratiquem factos considerados crime ou contravenção.

O objetivo deste modelo é evitar que comportamentos ocasionais se transformem em padrões persistentes, privilegiando o acompanhamento e a educação em vez de uma resposta exclusivamente punitiva. A reintegração depende, contudo, da capacidade das instituições para acompanhar os jovens após a ocorrência e atuar sobre os fatores que podem contribuir para comportamentos de risco.

O desporto surge também como um dos contextos onde as autoridades procuram reforçar a prevenção. Embora algumas das agressões registadas no primeiro semestre de 2026 tenham ocorrido durante brincadeiras ou atividades desportivas entre colegas, as entidades responsáveis defendem que atividades organizadas podem contribuir para criar espaços de convívio estruturados e promover comportamentos positivos entre jovens.

Além da intervenção após os incidentes, as autoridades têm defendido uma abordagem preventiva que envolva diferentes áreas, incluindo educação, família, saúde e desenvolvimento juvenil. A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude mantém indicadores sobre a juventude de Macau para acompanhar tendências relacionadas com educação, comportamento e participação social.

O debate sobre delinquência juvenil em Macau não se limita aos números absolutos, mas à forma como a sociedade responde aos conflitos entre menores. O desafio passa por distinguir comportamentos pontuais de trajetórias de risco e garantir que jovens envolvidos em situações de violência recebem acompanhamento adequado antes de uma eventual repetição.

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