Início » Vaga de calor recorde avança pela Europa e já faz subir o número de mortes. O que ainda pode agravar a situação

Vaga de calor recorde avança pela Europa e já faz subir o número de mortes. O que ainda pode agravar a situação

A vaga de calor continua a alastrar pela Europa com novos recordes de temperatura e sinais claros de impacto na saúde pública. O que preocupa agora é a escalada do número de mortes, a pressão sobre redes elétricas e o risco de uma nova onda já em julho

AFP

A vaga de calor mortal que atinge a Europa deslocou-se este domingo (28) para leste, com centenas de milhões de pessoas ainda sujeitas a temperaturas sufocantes em todo o continente, apesar do alívio temporário proporcionado por tempestades durante a noite, nomeadamente em França e na Bélgica.

O calor manteve-se intenso em grande parte da Europa Central e de Leste, com a República Checa, a Hungria e a Polónia entre os países mais afetados, à medida que as temperaturas continuaram a subir e novos recordes foram estabelecidos. Pelo menos 191 milhões de europeus deverão enfrentar temperaturas superiores a 35 graus Celsius durante o dia, segundo estimativas da AFP.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou ter registado mais de 1.300 mortes em excesso na Europa desde 21 de junho. No total, cerca de 381 milhões de europeus deverão enfrentar temperaturas acima dos 30 graus Celsius, de acordo com uma análise baseada nas previsões do Serviço Meteorológico Alemão e em dados populacionais.

Esta vaga de calor é a mais severa alguma vez registada na Europa e teria sido “praticamente impossível” ocorrer tão cedo no verão sem a influência das alterações climáticas, segundo o grupo de cientistas World Weather Attribution. Foram batidos recordes absolutos de temperatura na Alemanha, Polónia e República Checa, bem como recordes para o mês de junho no Reino Unido e na Suíça.

Leia também: Calor extremo atinge 150 milhões de europeus. O que está a acontecer e quais os países mais afetados

‘Não foi um fiasco’

“Neste momento, 150 milhões de pessoas vivem sob calor extremo, centenas morreram, escolas estão encerradas e as redes elétricas estão sob enorme pressão”, escreveu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na rede social X. “A Europa é o continente que aquece mais rapidamente no planeta, a um ritmo duas vezes superior à média global”, alertou.

As tempestades trouxeram algum alívio durante a noite, sobretudo em França, após vários dias com temperaturas próximas dos 40 graus Celsius. No entanto, também provocaram estragos, tendo um homem morrido nas proximidades de Bruxelas depois de uma árvore cair sobre o seu automóvel, segundo os meios de comunicação locais.

Em França, os alertas máximos para o calor deverão ser levantados ao final do dia de domingo, embora milhões de pessoas continuem sujeitas a temperaturas muito elevadas. Ainda marcada pela vaga de calor de 2003 – a mais mortífera na Europa em vários séculos, que provocou cerca de 15 mil mortes -, França teme agora um novo aumento do número de vítimas.

A agência nacional de saúde francesa indicou este domingo ter registado cerca de mil mortes acima do esperado desde 24 de junho e alertou que o número deverá continuar a aumentar. Grande parte dessas mortes ocorreu entre pessoas com 65 ou mais anos, acrescentou.

O ministro do Interior, Laurent Nunez, rejeitou as críticas da oposição à resposta das autoridades, afirmando: “Isto não foi um fiasco. Estávamos preparados.”

O primeiro-ministro, Sebastien Lecornu, convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros para analisar as lições a retirar das recentes vagas de calor e preparar o país para a eventualidade de novos episódios semelhantes, anunciou o seu gabinete.

O serviço meteorológico francês, France-Météo, indicou este domingo à noite que já antecipa a possibilidade de uma nova vaga de calor durante o mês de julho.

Recordes sucedem-se

As temperaturas ultrapassaram os 40 graus Celsius em vários países este domingo, enquanto a vaga de calor continuou a bater recordes na Europa Central e de Leste.

A Polónia registou uma nova temperatura máxima absoluta de 40,5 graus Celsius na cidade de Slubice, no oeste do país, segundo o instituto nacional de meteorologia. A operadora ferroviária de longo curso PKP Intercity anunciou perturbações em alguns serviços, com os painéis informativos da estação central de Varsóvia a indicarem atrasos superiores a quatro horas.

A Alemanha estabeleceu um novo recorde nacional de 41,7 graus Celsius em Coschen, junto à fronteira com a Polónia, ultrapassando o máximo registado apenas um dia antes. Pelo segundo dia consecutivo, a polícia de Berlim utilizou canhões de água para ajudar os habitantes da capital alemã a refrescarem-se, desta vez junto ao recinto Olympia, onde decorria um concerto do cantor Bruno Mars.

Diane, uma residente de Berlim de 32 anos, contou à AFP que já tinha desmaiado uma vez devido ao calor, apesar de ter bebido três litros de água.

Também a República Checa bateu recordes pelo segundo dia consecutivo, com 41,1 graus Celsius registados em Doksany, a norte de Praga. O valor foi posteriormente revisto para 41,9 graus Celsius.

O Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) de França alertou que o aumento das temperaturas está a afetar de forma evidente a vida marinha e a biodiversidade. A partir da praia de Wimereux, no norte de França, o diretor de investigação do CNRS, Gregory Beaugrand, explicou à AFP que o aquecimento das águas do Canal da Mancha está a perturbar a cadeia alimentar, uma vez que “os peixes que preferem águas frias estão a desaparecer”.

O paleoclimatologista francês Jean Jouzel afirmou ao jornal Tribune recear que a atenção política se dissipe rapidamente assim que a vaga de calor terminar. Apelando à população para levar a sério os avisos dos cientistas, afirmou: “As pessoas estão a fechar os olhos, mas a situação é extremamente grave.”

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website