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Calor extremo atinge 150 milhões de europeus. O que está a acontecer e quais os países mais afetados

A vaga de calor que atinge vários países europeus está a forçar encerramentos, alertas máximos e medidas de emergência. O que mais pesa agora é a pressão crescente sobre hospitais, escolas e infraestruturas urbanas

AFP

A onda de calor que afeta grande parte da Europa continua a agravar-se, com temperaturas excecionalmente elevadas, alertas meteorológicos sem precedentes e pressão crescente sobre os sistemas de saúde. Cientistas sublinham que estes episódios são uma consequência clara das alterações climáticas e alertam para fenómenos cada vez mais frequentes, prolongados e intensos.

Na Alemanha, o Serviço Meteorológico Alemão alertou que o calor intenso irá alastrar por todo o país durante o fim de semana. Em vastas áreas, desde o sudoeste e oeste até ao centro e leste do território, estão previstos níveis de calor extremo. O mapa de alertas meteorológicos encontrava-se praticamente coberto pela cor associada ao nível máximo de aviso.

Em Paris, os organizadores da marcha do Orgulho LGBTQIA+ cancelaram as festividades previstas para este fim de semana, seguindo orientações da polícia francesa, que tinha advertido sobre a possibilidade de proibir os eventos devido às condições meteorológicas extremas. Os hospitais da região parisiense enfrentam uma forte pressão, com um aumento significativo de emergências relacionadas com o calor.

Pelo menos 150 milhões de pessoas em toda a Europa deverão enfrentar temperaturas iguais ou superiores a 35 graus Celsius esta sexta-feira (26), segundo uma análise da AFP.

Leia também: Mortes ligadas ao calor na Europa: quem são as vítimas e porque as ondas de calor são cada vez mais letais

Em França, o número de vítimas mortais por afogamento durante a atual vaga de calor subiu para pelo menos 55 pessoas, anunciou o ministro dos Desportos. Muitas das vítimas eram jovens que procuravam aliviar as temperaturas extremas em zonas balneares não autorizadas.

Perante a situação, a empresa pública francesa EDF anunciou um investimento de 80 milhões de euros para equipar escolas, creches e centros de infância com sistemas de arrefecimento. A maioria das escolas francesas não foi concebida para suportar temperaturas extremas e não dispõe de ar condicionado.

A vaga de calor obrigou ao encerramento de milhares de estabelecimentos de ensino, enquanto outros enfrentam dificuldades para manter as aulas e realizar exames em salas sobreaquecidas.

Também esta sexta-feira, cientistas do grupo World Weather Attribution afirmaram que as alterações climáticas provocadas pela atividade humana são “inequivocamente” responsáveis pela intensidade da atual vaga de calor. Segundo os investigadores, temperaturas desta magnitude teriam sido “virtualmente impossíveis” de ocorrer durante o mês de junho há cinquenta anos.

As autoridades francesas decidiram ainda proibir a venda e o consumo de álcool em espaços públicos em Paris, numa tentativa de reduzir a pressão sobre os hospitais e limitar os riscos para a saúde associados às temperaturas elevadas.

O prefeito da polícia de Paris, Patrice Faure, admitiu que as unidades hospitalares estão a aproximar-se de um ponto de saturação. “Estamos a atingir um ponto de saturação nas infraestruturas hospitalares”, afirmou, acrescentando que o número de internamentos continua a aumentar.

No Reino Unido, foi registado na quinta-feira o dia mais quente de sempre para um mês de junho. Os termómetros atingiram os 36,7 graus Celsius no sudoeste de Inglaterra, ultrapassando um recorde que tinha sido estabelecido apenas algumas horas antes.

Na Alemanha, a temperatura chegou aos 39 graus Celsius na localidade de Kirrlach, no sudoeste do país, ficando muito próxima do recorde nacional de junho, fixado em 39,6 graus em 2019. Especialistas admitem que esse máximo histórico poderá ser ultrapassado durante o fim de semana.

Em França, o Governo anunciou ainda um reforço de 50 milhões de euros para lares de idosos, destinado à instalação de equipamentos de climatização, segundo a ministra responsável pela área da deficiência, Camille Galliard-Minier.

Nos Países Baixos, foi emitido pela primeira vez um alerta vermelho devido ao calor extremo. As previsões apontam para temperaturas que poderão atingir os 40 graus Celsius em algumas regiões. O instituto meteorológico neerlandês classificou a situação como perigosa e apelou ao cumprimento das recomendações das autoridades e dos serviços de emergência.

Na Eslováquia, o Instituto Hidrometeorológico emitiu avisos de calor de nível máximo para sábado. No sudoeste do país, as temperaturas poderão atingir os 38 graus Celsius.

Especialistas alertam que episódios de calor extremo como o atual deverão tornar-se cada vez mais frequentes à medida que as alterações climáticas continuarem a intensificar-se em todo o continente europeu.

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