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AIEA exige verificações rigorosas no Irão para garantir cumprimento do acordo nuclear com os EUA

Rafael Grossi defendeu a necessidade de um sistema de verificação “muito rigoroso” no Irão para garantir que o programa nuclear não avança para fins militares. A implementação do acordo continua, porém, dependente do acesso efetivo da AIEA às instalações de enriquecimento e da clarificação das divergências entre Teerão e Washington

Lusa

O líder da agência nuclear da ONU, Rafael Mariano Grossi, garantiu hoje (26) que é necessário um sistema de verificação “muito rigoroso” no Irão após o conflito para garantir que o país não desenvolve armas nucleares.

Os Estados Unidos e o Irão concordaram com um acordo na semana passada que exige que Teerão dilua o seu ‘stock’ de urânio enriquecido, em troca da suspensão das sanções impostas por Washington, dando a cada lado 60 dias para elaborar acordos mais amplos.

“O objetivo deste acordo é garantir que não há desenvolvimento de armas nucleares no Irão. O Governo iraniano declarou claramente que não é essa a sua intenção”, disse Grossi, numa conferência de imprensa, no Japão.

“Mas, claro, as intenções não chegam. Precisamos de implementar um sistema de verificação muito rigoroso (…) o mais rapidamente possível”, acrescentou o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

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Grossi indicou ainda que a agência “mal começou” as discussões com o Irão. “As discussões iniciais já ocorreram (…) Esperamos que este trabalho se acelere em breve”, disse.

Na quarta-feira, Grossi garantiu que inspetores irão visitar as instalações de enriquecimento nuclear iranianas, uma componente-chave no acordo provisório entre EUA e Irão para pôr fim à guerra.

O comentário do diretor-geral da AIEA foi o mais firme até à data vindo da agência das Nações Unidas, considerada fundamental para determinar o estatuto do arsenal nuclear iraniano.

Desde que Israel iniciou uma guerra de 12 dias contra o Irão em 2025, a AIEA tem sido impedida por Teerão de visitar as instalações de enriquecimento de urânio. O Irão há muito que afirma que o seu programa é pacífico. Os EUA e o Irão fizeram declarações contraditórias na terça-feira sobre se os locais seriam inspecionados.

“Percebo as declarações políticas, fazem parte da realidade, mas o ponto fundamental que gostaria de recordar e realçar é que houve um memorando de entendimento, assinado por ambos os presidentes”, disse Grossi.

Na terça-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, disse aos jornalistas em Teerão que os inspetores da ONU não estavam programados para examinar instalações nucleares bombardeadas pelos EUA em 2025, rejeitando comentários feitos um dia antes pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance.

A AIEA foi autorizada a visitar outras instalações nucleares no Irão desde a guerra de 12 dias em 2025, como a central nuclear de Bushehr.

Mas sem acesso às instalações de enriquecimento, a AIEA afirma não poder verificar o estado do ‘stock’ do Irão nem inspecionar as cascatas de centrifugadoras utilizadas para enriquecer urânio.

Tanto o Irão como a AIEA afirmam que Teerão não está a enriquecer urânio, mas os especialistas em não-proliferação temem que a República Islâmica possa estar a transferir o ‘stock’ para áreas não declaradas.

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