O Governo de Macau anunciou hoje (29) ter decidido desenvolver uma nova zona de atrações turísticas e culturais, que deve incluir um museu de arte contemporânea e um centro de artes performativas, num aterro anteriormente destinado à habitação.
Durante uma sessão da consulta pública realizada hoje sobre alterações propostas ao Plano Director, foi revelado que a nova ‘Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados’ será desenvolvida na Zona C, um aterro com cerca de 33 hectares construído perto da ilha da Taipa, que tem permanecido sem utilização desde a sua conclusão em 2022.
Segundo Pui Lam Law, representante da Arup, uma consultora contratada pelas autoridades locais para avaliar o projeto, a finalidade do aterro será reclassificada de “zona habitacional e zona comercial para zona de equipamentos de utilização coletiva”.
Uma zona designada para equipamentos de utilização coletiva pode ser usada para instalações públicas, municipais, culturais, educativas, sociais, recreativas, desportivas ou de saúde, de acordo com a lei de Macau.
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Pui indicou que o plano foi alterado “atendendo às necessidades de desenvolvimento diversificado das indústrias “1+4” e “à garantia de disponibilização de terrenos necessários”.
A estratégia “1+4” é o plano de diversificação económica de Macau que visa reduzir a dependência da indústria do Jogo através de um maior foco nas indústrias de turismo e lazer, ao mesmo tempo que promove quatro indústrias-chave: saúde e bem-estar, finanças modernas, alta tecnologia e convenções, exposições, comércio e desporto.
“Três instalações de grande dimensão” serão construídas nas Zonas B e C, dois aterros localizados entre a península de Macau e a ilha da Taipa, segundo a Direcção dos Serviços de Solos e Construção Urbana (DSSCU).
Estas incluem o Museu Nacional da Cultura de Macau na Zona B, e o Museu Internacional de Arte Contemporânea e o Centro Internacional das Artes Performativas de Macau na Zona C, com o objetivo de “promover um desenvolvimento integrado de indústrias diversificadas, tais como o turismo, a cultura e o comércio”.
Pui explicou que a Zona B interage de forma complementar com “as infraestruturas culturais existentes”, nomeadamente o Centro de Ciência de Macau, o Centro Cultural de Macau, a Estátua de Kun Iam, o Lago Nam Van e o Lago Sai Van, “bem como com os recursos culturais e recreativos da Torre de Macau”, algo que aponta ser já “favorável à diversificação de indústrias e ao reforço da atratividade global da zona”.
Por outro lado, os dois aterros apresentam uma “circunstância que permite reforçar e valorizar as caraterísticas paisagísticas e o perfil da linha do horizonte urbano de ambas as margens”, e “apresentam ainda potencial para promover a cooperação entre Macau e Zhuhai”, cidade chinesa vizinha.
Na mesma conferência de imprensa, a representante salientou que as projeções demográficas para a população da região em 2024 foram reduzidas de 808 mil para 783 mil. A cidade tem atualmente uma população de cerca de 688 mil pessoas.
Uma parcela de terreno situada no lado oeste da Zona E1 dos Novos Aterros Urbanos, anteriormente classificada como zona habitacional, será também reclassificada como zona comercial; com um terreno situado na Avenida Wai Long a ser reclassificado de zona habitacional para industrial.
Estas duas zonas, situadas junto ao Aeroporto Internacional de Macau e do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa, serão usadas para a construção de um Parque Industrial de Investigação e Desenvolvimento das Ciências e Tecnologias.
Ambas já “dispõem de condições privilegiadas de acesso aos transportes para o exterior”, favorecendo a circulação eficiente de pessoas, tecnologias e mercadorias, e “reforçando simultaneamente a ligação de Macau com as redes regionais e internacionais de inovação”, segundo Pui.
A consulta pública do projeto de alteração ao Plano Director de Macau decorre até 27 de agosto, incluindo três sessões de esclarecimento destinadas ao público.