O magnata das telecomunicações, de 76 anos, cumpriu oito meses de uma pena de prisão de um ano por corrupção e terá de usar uma pulseira eletrónica durante o período de liberdade condicional, até setembro. Thaksin abraçou familiares à saída da prisão de Banguecoque, onde várias centenas de apoiantes vestidos com as tradicionais camisolas vermelhas se reuniram, alguns gritando “amamos Thaksin”, observou um jornalista da AFP.
“Pode afastar-se durante alguns meses, mas não vai abandonar a política”, afirmou Janthana Chaidej, de 70 anos, que faltou ao trabalho como cozinheira num restaurante para demonstrar apoio ao antigo líder. “Entrei em hibernação durante oito meses”, declarou Thaksin aos jornalistas, através da janela traseira do carro, à porta da sua residência na capital, acrescentando sentir “alívio” após a libertação.
O antigo chefe do Governo foi equipado com uma pulseira eletrónica num gabinete de liberdade condicional em Banguecoque na manhã de segunda-feira e não poderá sair da capital sem autorização, informou o departamento prisional em comunicado. A máquina política de Thaksin tem sido, nas últimas duas décadas, uma das principais rivais da elite tailandesa pró-militar e pró-monarquia, que encara o seu populismo como uma ameaça à ordem social tradicional.
O partido Pheu Thai e as suas anteriores versões têm sido a força política mais bem-sucedida da Tailândia no século XXI, com a família Shinawatra a produzir quatro primeiros-ministros e a conquistar amplo apoio junto do eleitorado rural. No entanto, o Pheu Thai registou o pior resultado eleitoral da sua história em fevereiro, caindo para o terceiro lugar e levantando dúvidas sobre o futuro da dinastia política de Thaksin.
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Ainda assim, a participação do Pheu Thai na coligação governamental liderada pelo conservador Anutin Charnvirakul mantém aberta a possibilidade de um regresso político.
Para os apoiantes mais fiéis de Thaksin, a sua libertação “vai fortalecer o Pheu Thai no curto prazo porque as pessoas vão sentir que o dono do Pheu Thai está de volta”, afirmou o professor de Ciência Política Wanwichit Boonprong. Contudo, os “velhos inimigos conservadores” de Thaksin irão unir-se em torno de Anutin, que “tem algo que Thaksin não tem: a confiança das elites”, acrescentou Wanwichit.
Os conservadores anti-Thaksin vão querer vê-lo “afastado da política”, disse o académico. Anutin declarou aos jornalistas estar satisfeito por Thaksin e pela sua família. “Ele regressa a casa com um sorriso”, afirmou o primeiro-ministro. Questionado sobre um eventual encontro com Thaksin, Anutin não afastou essa possibilidade: “Banguecoque não é assim tão grande. Encontrarmo-nos com pessoas que conhecemos e respeitamos não é estranho.”
O departamento prisional anunciou no mês passado que Thaksin beneficiaria de liberdade condicional devido à idade e ao facto de lhe restar menos de um ano de pena para cumprir. Thaksin foi preso depois de o Supremo Tribunal ter decidido, no ano passado, que cumpriu indevidamente uma sentença de 2023 numa suíte hospitalar em vez de numa cela prisional.
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Foi eleito primeiro-ministro em 2001 e novamente em 2005, acabando por se exilar após o segundo mandato ter sido interrompido por um golpe militar. Depois de regressar à Tailândia em agosto de 2023, foi condenado a oito anos de prisão por corrupção e abuso de poder.
No entanto, em vez de ser colocado na prisão, foi transferido para um quarto privado de hospital por motivos de saúde, a pena foi reduzida para um ano através de perdão real e acabou libertado ao abrigo de um programa de libertação antecipada para reclusos idosos.
O momento do seu regresso ao país e da transferência hospitalar, coincidindo com a formação de um novo Governo pelo Pheu Thai, alimentou suspeitas públicas sobre um alegado acordo de bastidores e acusações de tratamento privilegiado.
O Supremo Tribunal decidiu em setembro que Thaksin não sofria de um problema de saúde crítico e que o tempo passado no hospital não podia ser contabilizado como pena cumprida, levando-o novamente para a prisão para cumprir a pena de um ano. Thaksin foi um dos mais de 850 reclusos autorizados a beneficiar de libertação antecipada.
A filha de Thaksin, a antiga primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra, afirmou na quinta-feira aos jornalistas, após visitar o pai na prisão, que ambos “não discutiram nada relacionado com política”. O sobrinho de Thaksin, Yodchanan Wongsawat, que se tornou o principal rosto do Pheu Thai antes das eleições de fevereiro, foi nomeado ministro do Ensino Superior no Governo de Anutin.