“Ainda não acabou, porque ainda existe material nuclear – urânio enriquecido – que tem de ser retirado do Irão. Ainda existem instalações de enriquecimento que têm de ser desmanteladas”, declarou Netanyahu numa entrevista emitida no programa “60 Minutes”, da CBS News. “Entra-se lá e retira-se”, afirmou o líder israelita, quando questionado sobre a forma como o urânio poderia ser removido.
Netanyahu afirmou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, partilha uma posição semelhante. “Não vou falar de meios militares, mas o Presidente, o Presidente Trump, disse-me: ‘Quero entrar lá’.”
No entanto, as declarações de Netanyahu contrastam com a posição pública de Trump. O republicano, de 79 anos, enfrenta uma crescente pressão interna para pôr fim à guerra com o Irão e insiste que o programa nuclear iraniano foi contido.
Numa entrevista transmitida no domingo, mas aparentemente gravada anteriormente, Trump afirmou que o Irão foi “militarmente derrotado” e insistiu que o urânio pode ser retirado “quando quisermos”.
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“Vamos conseguir isso em algum momento, quando quisermos. Vamos manter aquilo sob vigilância”, declarou ao jornalista independente Sharyl Attkisson. “Se alguém se aproximar do local, saberemos e vamos destruí-los.”
Questionado pela CBS sobre a forma como as reservas de urânio poderiam ser retiradas do Irão, Netanyahu respondeu que preferia um acordo. “Acho que isso pode ser feito fisicamente. Esse não é o problema. Se houver um acordo e se entrar lá para retirar o material, porque não? Essa é a melhor forma.”
Pressionado sobre a existência de opções militares para apreender o urânio escondido, Netanyahu recusou discutir essas possibilidades; ou qualquer calendário.
Israel continua a ser um aliado próximo dos Estados Unidos, mas Netanyahu afirmou que transmitiu a Trump a intenção de reduzir para “zero”, e o mais rapidamente possível, os cerca de 3,8 mil milhões de dólares anuais de ajuda militar norte-americana atribuída a Israel. “Penso que chegou o momento de nos desmamarmos do apoio militar remanescente” do Pentágono, acrescentou. “Vamos começar agora e fazê-lo ao longo da próxima década.”
Além da questão ainda por resolver das reservas de urânio, Netanyahu afirmou que existem outros objetivos da guerra que continuam por cumprir. “Ainda existem grupos aliados apoiados pelo Irão, mísseis balísticos que continuam a querer produzir. Já degradámos uma grande parte disso, mas tudo isso ainda existe e há trabalho por fazer.”
Netanyahu reconheceu igualmente que tem conhecimento do apoio prestado por Pequim ao Irão. “A China fornece um certo nível de apoio [ao Irão], nomeadamente componentes para o fabrico de mísseis”, afirmou o líder israelita. “Mas não posso dizer mais do que isso.”
O primeiro-ministro falou ainda com otimismo sobre a possibilidade de a queda do regime iraniano significar “o fim do Hezbollah”, bem como do Hamas e dos Houthis, “porque toda a estrutura da rede de grupos aliados construída pelo Irão colapsa se o regime iraniano colapsar”. Ainda assim, evitou prever a queda do regime iraniano. “É possível? Sim. É garantido? Não.”