A situação levou, no domingo, dia 10, ao início da retirada e repatriamento das 143 pessoas que se encontravam a bordo — passageiros e tripulação — no porto de Tenerife, nas Canárias. Eis a cronologia dos principais acontecimentos:
20 de março – O navio parte de Tierra del Fuego, na Patagónia, Argentina, com destino à Antártida. Após alguns dias, regressa ao país para uma escala em Ushuaia.
1 de abril – O MV Hondius deixa Ushuaia com 149 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades, incluindo um cidadão português na tripulação.
21 de março a início de abril – A rota inclui a Antártida Continental, as Ilhas Malvinas, a Geórgia do Sul, a ilha Nightingale e Tristão da Cunha, o arquipélago habitado mais remoto do mundo, território ultramarino britânico.
6 de abril – Um homem de 60 anos, dos Países Baixos, desenvolve sintomas como febre, diarreia, dores de cabeça e abdominais. O quadro agrava-se com dificuldades respiratórias.
11 de abril – O passageiro neerlandês morre a bordo. O corpo é congelado e conservado no navio. A causa de morte ainda não é oficialmente atribuída ao hantavírus.
24 de abril – O navio atraca em Santa Helena, território ultramarino britânico. A viúva da primeira vítima, também neerlandesa, desembarca para acompanhar o corpo do marido, já com sintomas gastrointestinais. Acaba por desmaiar no aeroporto e é hospitalizada, vindo a morrer a 26 de abril — o primeiro caso oficialmente confirmado de hantavírus. No mesmo dia, desembarcam cerca de 40 passageiros, incluindo um doente que receberá tratamento na Suíça, caso confirmado apenas a 7 de maio. A bordo, um passageiro britânico apresenta febre e problemas respiratórios.
26 de abril – Em Ascensão, outro território britânico, o passageiro britânico agrava o estado clínico, é transferido para a África do Sul e internado em Joanesburgo. Dias depois, testa positivo para hantavírus, tornando-se o terceiro caso oficial.
28 de abril – Uma passageira alemã manifesta sintomas semelhantes a pneumonia.
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2 de maio – A passageira alemã morre, constituindo o quarto caso oficial e a terceira morte associada ao surto.
3 de maio – O navio aproxima-se de Cabo Verde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) é formalmente notificada. Três passageiros apresentam sintomas semelhantes aos casos anteriores. O navio não recebe autorização para atracar. Equipas médicas sobem a bordo e iniciam análises; o médico do navio encontra-se entre os doentes.
4 de maio – É confirmado que a viúva da primeira vítima morreu com infeção por hantavírus. No dia seguinte, as autoridades sul-africanas confirmam que o doente britânico contraiu o hantavírus Andes, a única variante conhecida com potencial de transmissão entre humanos.
5 de maio – A OMS inicia o rastreamento dos passageiros de um voo da KLM no qual a viúva neerlandesa chegou a viajar.
6 de maio – Três pessoas são retiradas do navio e transportadas em aviões-ambulância para os Países Baixos: um cidadão britânico, guia da expedição, e um neerlandês, médico de bordo, que testam positivo (quinto e sexto casos oficiais). Uma passageira alemã retirada na mesma altura testa negativo. Os restantes passageiros permanecem confinados aos camarotes.
8 de maio – O MV Hondius deixa a costa de Cabo Verde com destino a Tenerife, nas Canárias.
10 de maio – O navio atraca em Tenerife, iniciando-se o desembarque faseado dos passageiros. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, procura tranquilizar a população local, sublinhando que “isto não é outro Covid” e que o risco para a saúde pública continua baixo. Até ao final do dia, o desembarque decorria sem incidentes, começando pelos passageiros espanhóis e franceses, que deverão cumprir quarentena de 42 dias.
As investigações continuam para determinar a origem exata da infeção a bordo e os mecanismos de transmissão do vírus, que é geralmente associado ao contacto com roedores infetados.