A posição foi transmitida pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que esclareceu que se trata de um “conselho claro”, mas não vinculativo. “A OMS aconselha os países, não impõe”, afirmou, reconhecendo que existem riscos quando não são implementadas quarentenas, embora a agência da ONU não force nenhum Estado a seguir a recomendação.
Alguns países, como Espanha, Reino Unido e França, já anunciaram que os seus cidadãos que estiveram a bordo do navio irão cumprir períodos de isolamento. Outros, como os Estados Unidos, admitiram não avançar com esse tipo de medida.
Tedros Adhanom Ghebreyesus falava aos jornalistas no porto de Granadilla, em Canárias, onde teve início, no domingo, a operação de desembarque e repatriamento dos ocupantes do navio. De acordo com o Governo espanhol, 94 pessoas de 19 nacionalidades foram retiradas do MV Hondius e transportadas em oito voos, a partir do aeroporto de Tenerife Sul, para os países de origem ou de residência.
Na segunda-feira está previsto o desembarque e repatriamento de mais 24 pessoas com destino à Austrália e aos Países Baixos. O navio, mantendo a bordo parte da tripulação que não desembarcará nas Canárias, seguirá posteriormente para os Países Baixos, onde está registado e onde se encontra sediado o armador.
Tedros Adhanom Ghebreyesus e a ministra da Saúde espanhola confirmaram ainda que um cidadão francês apresentou sintomas compatíveis com a doença, nomeadamente tosse, durante o voo entre Tenerife e França, sendo considerado um caso suspeito. Caberá às autoridades francesas aplicar o respetivo protocolo nacional.
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Até ao momento, a OMS confirmou seis casos de infeção por hantavírus entre oito suspeitos associados à viagem do MV Hondius. Três pessoas morreram. Segundo a organização, nenhum dos doentes ou casos suspeitos se encontrava a bordo quando o navio chegou às Canárias.
O MV Hondius realizava uma viagem com origem na Argentina, pelo Atlântico Sul, tendo desencadeado um alerta sanitário internacional no fim de semana passado. A variante identificada a bordo, o hantavírus Andes, é rara e pode, em alguns casos, transmitir-se de pessoa para pessoa.
A OMS recorda que o hantavírus é normalmente transmitido através do contacto com roedores infetados e que os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos de uma gripe, incluindo tosse, fadiga e dores musculares ou de cabeça. Dependendo da estirpe, a infeção pode evoluir para formas pulmonares ou renais. Apesar do surto, a organização garante que o risco para a população em geral é considerado baixo.