A Casa Branca acredita estar próxima de um entendimento com Teerão assente num memorando de apenas uma página, que serviria para consolidar o cessar-fogo e criar bases para negociações nucleares mais aprofundadas. Fontes norte-americanas indicam que Washington aguarda respostas do Irão sobre pontos-chave nas próximas 48 horas.
Embora ainda não exista um acordo fechado, o Axios sublinha que este é o momento de maior aproximação entre as partes desde o início da guerra. O entendimento em cima da mesa prevê que o Irão aceite uma moratória no enriquecimento de urânio, enquanto os Estados Unidos se comprometeriam a levantar sanções económicas e a libertar milhares de milhões de dólares em fundos iranianos congelados.
O eventual acordo inclui ainda a remoção de restrições à circulação marítima no estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás, cuja instabilidade recente tem gerado forte tensão nos mercados energéticos internacionais.
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Segundo as mesmas fontes, a administração norte-americana considera que a liderança iraniana se encontra dividida internamente, o que poderá dificultar um consenso final, apesar de sinais de abertura ao diálogo. Dois responsáveis dos EUA indicaram ao Axios que a decisão do Presidente Donald Trump de suspender a operação militar de escolta de navios no estreito de Ormuz esteve diretamente ligada aos avanços registados nas conversações e à necessidade de preservar o frágil cessar-fogo.
Na terça-feira, Trump anunciou a suspensão da operação militar “Projeto Liberdade”, iniciada a 3 de maio, explicando que a decisão foi tomada a pedido do Paquistão e devido a “progressos consideráveis” rumo a um acordo com Teerão. O Presidente norte-americano não adiantou, contudo, detalhes adicionais sobre o conteúdo das negociações.
O possível entendimento surge num contexto de elevada tensão regional, mas também de crescente pressão internacional para uma solução diplomática que evite uma escalada prolongada do conflito e estabilize a segurança no Médio Oriente.