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Análise: Guerra no Irão expõe dilema estratégico da China

A guerra no Irão colocou a China numa posição complexa, oferecendo oportunidades diplomáticas e estratégicas mas também riscos económicos e energéticos, segundo uma análise do instituto Brookings Institution, publicada na terça-feira (5)

Lusa - China

Ryan Hass, investigador de política externa na unidade de investigação Centro John L. Thornton China, da Brookings Institution, que tem sede em Washington, afirmou que “os líderes chineses consideram as ações dos EUA no Irão como mais um espasmo violento de um sistema capitalista em declínio, projetando as suas contradições através do imperialismo e da guerra”.

“O principal interesse da China é manter aberto o caminho para a sua ascensão, com os EUA a constituir o principal obstáculo”, escreveu Hass no artigo – “A abordagem de Pequim ao conflito no Irão e as suas implicações para a China” -, que assina com outros quatro investigadores do Centro John L. Thornton China.

Pequim prefere assim “uma calma tensa com os EUA” e reage à guerra “em mal-estar nem entusiasmo”, devido ao impacto económico e aos choques energéticos, observou Hass.

Patricia M. Kim, também investigadora de política externa no mesmo centro da Brookings, destacou na mesma análise as vantagens estratégicas para Pequim, que se apresentou como ator neutro e mediador, tendo emitido propostas de cessar-fogo com o Paquistão.

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No entanto, alertou a analista, “os ganhos são temperados por significativos efeitos negativos: a China continua dependente da estabilidade global, e a guerra aumentou a volatilidade nos mercados de energia e perturbou uma rota vital de transporte marítimo”, escreveu.

Yun Sun, investigadora não-residente do grupo de reflexão norte-americano, observou que a China demonstrou “resiliência energética e das cadeias de abastecimento, graças a décadas de diversificação”, mas os custos são reais, como a queda de 25% nas importações de crude do Golfo em março de 2026. Sun acrescentou que Pequim “pode desempenhar um papel na reconstrução pós-conflito do Irão, dadas as opções limitadas de parceria de Teerão”.

O analista Dennis Wilder, investigador sénior na Iniciativa para o Diálogo EUA-China sobre Questões Globais, um programa de investigação ligado ao Brookings Institution, destacou limitações militares, referindo que “o ELP [Exército de libertação Popular] não possui capacidades de projeção de poder no mar longínquo comparáveis às dos EUA e Israel”.

Acrescentou que “os mísseis iranianos com assistência chinesa foram amplamente intercetados”, demonstrando falhas na eficácia do material fornecido a Teerão.

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Outro co-autor, Thomas Wright, investigador no Centro Strobe Talbott para Segurança, Estratégia e Tecnologia, do mesmo ‘think tank’, enfatizou que a guerra oferece “uma demonstração em tempo real das capacidades militares dos EUA”, reforçando dissuasão em outros teatros, incluindo o Estreito de Taiwan.

Wright acrescentou que a situação cria oportunidades para Pequim enquadrar Washington como ator desestabilizador, apesar de preferir que o conflito “não se prolongue demasiado”, devido aos riscos económicos e energéticos.

Quanto à estratégia chinesa, Hass notou que a China “não assumiu a causa do Irão como sua e tem sido mais atenciosa com outros países do Golfo que sofreram ataques de Teerão”, evitando que o conflito “prejudique as relações com os EUA”.

Kim destacou que a China segue um padrão de “diplomacia elevada, risco baixo”. “Pequim parece empenhada em manter um papel diplomático visível, sem incorrer nos custos políticos ou de reputação que acompanham esforços de mediação fracassados. Recusou-se a assumir a responsabilidade por um cessar-fogo, apesar do pedido de Teerão”, observou.

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