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Interesse internacional testa estratégia turística de Macau

O aumento do interesse internacional por Macau, medido através das pesquisas de alojamento na plataforma Agoda, é “um sinal muito encorajador” para a estratégia de diversificação turística da cidade. Ainda assim, os dados levantam dúvidas sobre o seu impacto real na recuperação do setor. “A grande questão é se o aumento das pesquisas […] se traduz em reservas”, alerta Niall Murray

Fernando M. Ferreira

A plataforma digital de viagens, Agoda, registou um crescimento significativo nas pesquisas de alojamento para Macau, com destaque para o Médio Oriente (+247%), Índia (+70%), Japão (+62%) e vários mercados do Sudeste Asiático. Para Niall Murray, fundador do Murray International Group– empresa de consultoria no setor de resorts integrados, turismo, hotelaria e Jogo -, estes números confirmam uma tendência que o Governo procura há anos: a diversificação das origens dos visitantes.

“O crescimento reportado (…) sugere que a atratividade do destino está a alargar-se para além dos seus segmentos tradicionais de visitantes”, afirma ao PLATAFORMA, sublinhando o alinhamento com a estratégia oficial de reduzir a dependência do “mercado da China continental”.

Os dados surgem num momento em que o turismo internacional dá sinais de recuperação. No primeiro trimestre, o número de hóspedes internacionais aumentou 16%, para 338 mil, embora o Interior da China continue a representar a maior fatia, com 2,74 milhões. Ainda assim, Murray considera que a evolução é positiva para a resiliência do setor. “A redução da dependência de uma única origem reforça (…) uma recuperação mais equilibrada e sustentável”, nota.

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No entanto, os dados da Agoda são apenas um indicador preliminar. “A grande questão é se o aumento das pesquisas na Agoda se traduz em reservas. Se os cliques se converterem em reservas efetivas, Macau estará no bom caminho para construir um setor turístico mais robusto e competitivo a nível internacional. No entanto, se a publicidade apelativa não se traduzir em conversões, tratar-se-á de um investimento mal direcionado”, explica Murray.

A análise ganha particular relevância à luz das políticas recentes da Direcção dos Serviços de Turismo, que têm apostado em campanhas conjuntas com plataformas como a Agoda e na promoção de novos segmentos, incluindo turistas do Sudeste Asiático e Médio Oriente. Para Murray, há sinais de que essas iniciativas estão a produzir efeitos – mas ainda sem validação plena.

A redução da dependência de uma única origem reforça (…) uma recuperação mais equilibrada e sustentável – Niall Murray, fundador do Murray International Group

“Este pode ser um desenvolvimento positivo, mas ainda não valida as estratégias atuais nem indica claramente onde devem ser concentrados os futuros investimentos e parcerias”, afirma, defendendo a necessidade de dados mais concretos. “São necessários dados de conversão para avaliar a eficácia. É fundamental acompanhar de perto esta evolução.”

O consultor aponta ainda limitações estruturais que podem travar essa conversão. “Se os potenciais visitantes clicam em anúncios atrativos mas não encontram voos, alojamento, atrações e entretenimento adequados às suas preferências e orçamento, a conversão não acontecerá”, diz ao PLATAFORMA.

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Entre os principais desafios, destaca a necessidade de melhorar o acesso aéreo direto e reforçar a oferta de alojamento de gama média. “O Aeroporto de Macau precisa de melhorar significativamente o acesso a voos diretos e o mercado deve aumentar de forma relevante a oferta de alojamento de gama média para impulsionar a procura internacional”, conclui.

Num momento em que Macau procura reposicionar-se como destino internacional, os dados da Agoda surgem como um sinal encorajador – mas, como sublinha Murray, “este pode ser um desenvolvimento positivo, mas ainda não valida as estratégias atuais nem indica claramente onde devem ser concentrados os futuros investimentos”.

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