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Tiros no Senado filipino durante tentativa de detenção de senador (com vídeo)

Vários tiros provocaram o pânico no Senado das Filipinas na noite de quarta-feira (13), levando senadores a refugiarem-se nos seus gabinetes, enquanto um legislador procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) permanecia abrigado no edifício, relataram jornalistas da AFP

AFP

Não houve vítimas e as autoridades continuam à procura dos autores dos disparos, disse aos jornalistas o secretário do Interior, Juanito Victor Remulla, acrescentando que o senador fugitivo Ronald Dela Rosa permanece no interior do complexo do Senado. Jornalistas da agência francesa AFP presentes no Senado afirmaram ter ouvido pelo menos cinco disparos.

Uma jornalista de televisão foi vista em lágrimas durante uma transmissão em direto a partir do edifício, enquanto o senador Robin Padilla apelava à evacuação dos repórteres.

O incidente ocorreu enquanto Dela Rosa – antigo braço-direito do ex-presidente Rodrigo Duterte durante a sangrenta campanha antidroga – se refugiava no complexo do Senado para evitar a detenção e transferência para os Países Baixos por alegados crimes contra a humanidade.

Dela Rosa “está em segurança” e acompanhado por elementos da segurança, segundo Remulla. “Foi informado das nossas atividades. Garantimos-lhe que não existe qualquer mandado de detenção para ser executado”, afirmou.

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O Presidente filipino Ferdinand Marcos declarou que as forças governamentais posicionadas dentro e nos arredores do Senado não dispararam quaisquer armas. Marcos acrescentou que os agentes que tentavam deter Dela Rosa receberam ordens para suspender a operação, depois de o Supremo Tribunal ter exigido explicações ao Governo sobre as suas ações.

“A prioridade agora é pedir a todos que mantenham a calma. Vamos apurar o que aconteceu e identificar os responsáveis por esta situação”, afirmou Marcos numa declaração transmitida pela televisão estatal.

Dela Rosa tinha anteriormente pedido ao Supremo Tribunal que impedisse as autoridades de o deter e entregar ao TPI. Conhecido como “Bato”, Dela Rosa foi chefe da polícia nacional entre 2016 e 2018, durante a fase inicial da campanha antidroga lançada por Duterte.

A operação provocou milhares de mortos, muitos deles consumidores de droga e pequenos traficantes, segundo organizações de direitos humanos. O antigo Presidente Rodrigo Duterte foi detido em março do ano passado, transferido no mesmo dia para os Países Baixos e encontra-se detido em Haia à espera de julgamento.

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Dela Rosa não era visto publicamente desde novembro, tendo reaparecido na segunda-feira para participar numa votação inesperada que permitiu aos aliados de Duterte assumirem o controlo do Senado. Minutos antes dos disparos, o senador Vicente Sotto afirmou, em comunicado, que manifestantes atiraram garrafas de água contra o seu carro quando saía sozinho do complexo do Senado.

Horas antes, Dela Rosa tinha apelado às forças armadas para resistirem a qualquer tentativa de o deter, instando antigos colegas a oporem-se a uma eventual entrega ao Tribunal Penal Internacional por parte do Governo de Marcos. “Os meus colegas de farda devem manifestar a sua posição de que o Governo não me deve entregar a estrangeiros”, declarou.

O presidente do Senado, Alan Peter Cayetano, que impediu agentes governamentais de deterem o seu aliado, afirmou na sua página oficial no Facebook desconhecer quem efetuou os disparos. “Ouvimos tiros e não sabemos o que está a acontecer. Toda a gente está trancada nos gabinetes. Não conseguimos sair nem proteger os restantes funcionários”, escreveu. “Porque é que estamos a ser atacados aqui?”

Melvin Matibag, diretor do Gabinete Nacional de Investigação (NBI), cujos agentes tentaram deter Dela Rosa na segunda-feira, negou que os seus elementos tenham disparado armas de fogo. “Recebemos ordens para suspender a operação”, afirmou à cadeia televisiva ABS-CBN, acrescentando que não havia agentes do NBI no interior do Senado no momento dos disparos.

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