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Brasil lidera atração global de investimentos chineses em 2025

Os investimentos chineses no Brasil cresceram 45% em 2025, atingindo 6,1 mil milhões de dólares (5,4 mil milhões de euros), o valor mais elevado desde 2017, segundo relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC)

Lusa

O levantamento divulgado na quinta-feira (7) descreve que houve também recorde no número de empreendimentos, com 52 projetos chineses no país sul-americano, uma subida de 33% face a 2024, consolidando “uma trajetória de três anos consecutivos de crescimento”.

O Brasil foi o país que mais atraiu investimentos chineses no mundo em 2025”, concentrando 10.9% do capital aplicado pela China no exterior, à frente dos Estados Unidos, Guiana, Indonésia e Cazaquistão, segundo o relatório.

O setor da eletricidade liderou os investimentos chineses, absorvendo 29.5% do total, equivalente a 1,79 mil milhões de dólares (1,58 mil milhões de euros), impulsionado por projetos de energias renováveis e transmissão elétrica. “A principal investidora em 2025 foi a CPFL, controlada pela State Grid desde 2017”, refere o relatório da CEBC, destacando ainda a atuação da China Three Gorges, SPIC e China Energy em projetos solares, eólicos e hidroelétricos.

A mineração ocupou o segundo lugar entre os setores que mais receberam capital chinês, com 1,76 mil milhões de dólares (1,55 mil milhões de euros), mais do triplo do registado em 2024 e o maior montante desde 2011.

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O relatório aponta que “o valor investido pela China no setor de mineração no Brasil mais do que triplicou”, refletindo o interesse chinês por minerais críticos ligados à transição energética, como cobre, níquel, grafite e terras raras. Entre os principais negócios do setor de mineração esteve a compra de minas de ouro da canadiana Equinox Gold pela chinesa CMOC, numa operação avaliada em cerca de mil milhões de dólares (883 milhões de euros).

O relatório do CEBC aponta a entrada da China National Petroleum Corporation (CNPC) na Foz do Amazonas como um dos principais movimentos dos investimentos chineses no Brasil em 2025.

A estatal chinesa adquiriu nove blocos no leilão do 5.º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), segundo o documento. Todos os blocos estão localizados na Foz do Amazonas, ao largo dos estados do Pará e do Amapá, e serão operados pela CNPC em consórcio com a petrolífera norte-americana Chevron.

O levantamento aponta ainda que o setor automóvel recebeu 965 milhões de dólares (852 milhões de euros), equivalentes a 15,8% dos investimentos chineses no Brasil, com destaque para a expansão de fabricantes de veículos eletrificados como BYD, GWM e Geely. “O carro elétrico tornou-se sinónimo de carro chinês no Brasil”, com a BYD a responder por 72% das vendas locais de veículos eletrificados em 2025, incluindo híbridos e elétricos puros, segundo o CEBC.

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O relatório detalha também que os investimentos chineses em sustentabilidade e energias verdes atingiram um recorde de 31 projetos em 2025, correspondendo a 60% do total de empreendimentos anunciados no país. Entre 2007 e 2025, os investimentos chineses no Brasil acumularam 85,5 mil milhões de dólares (75,5 mil milhões de euros) distribuídos por 355 projetos, concentrados sobretudo nos setores da eletricidade, petróleo, indústria transformadora e mineração.

As restrições enfrentadas por empresas chinesas em mercados tradicionais, “incluindo os Estados Unidos e seus aliados”, têm incentivado a procura por destinos alternativos, sobretudo em países do Sul Global, como o Brasil, segundo o CEBC.

O documento acrescenta que o Brasil beneficia do “redirecionamento do investimento chinês diante de restrições geopolíticas”, combinando mercado consumidor amplo, “depreciação do real frente ao dólar”, abundância de recursos minerais e energéticos e uma matriz elétrica limpa.

O CEBC é uma instituição bilateral sem fins lucrativos criada em 2004 para promover o diálogo económico e empresarial entre Brasil e China, atuando em temas ligados ao comércio e investimentos e sendo reconhecido pelos dois governos como interlocutor empresarial.

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