“Nós não dizemos que é sem alterações. Quando se estabelece diálogo e negociação é para aproximar posições, sendo certo que as partes têm de estar disponíveis também para fazer essas aproximações”, afirmou o dirigente sindical, sublinhando que a UGT irá insistir nas propostas que já colocou em cima da mesa e às quais, diz, o Governo ainda não mostrou disponibilidade para se aproximar.
Questionado sobre a hipótese de uma nova greve geral, à semelhança do que já anunciou a CGTP, Mário Mourão afirmou que essa opção não está excluída. Ainda assim, garantiu que até à reunião da concertação social não será tomada qualquer decisão, remetendo uma eventual mobilização para um momento posterior, caso não haja acordo. “Depois discutiremos com os sindicatos as formas de luta, não excluindo nenhuma, incluindo a própria greve geral”, afirmou.
O líder da UGT criticou o modelo de negociação adotado pelo Governo, dizendo que não o deixa “confortável”, e apontou reservas à condução do processo por parte da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho. Embora tenha ressalvado que não põe em causa as suas competências, considerou que a ministra tem “pouco conhecimento da realidade” e do funcionamento das empresas, o que, na sua opinião, terá dificultado um entendimento mais célere.
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Apesar de rejeitar que a central sindical esteja a fazer um “braço de ferro” com o Governo, Mário Mourão admitiu que este não é o momento para apresentar novas propostas, alertando que isso significaria reabrir todo o processo negocial. Na semana passada, recorde-se, a UGT rejeitou por unanimidade a última versão da proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Executivo, que pretende encerrar o processo após a reunião de 7 de maio e remeter o dossiê ao Parlamento.
O anteprojeto de reforma laboral, designado Trabalho XXI, foi apresentado em julho de 2025 e prevê uma revisão profunda do Código do Trabalho, com mais de uma centena de alterações.