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EUA e Irão trocam acusações e ataques em nova escalada no Golfo

Um cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos esteve à beira do colapso na segunda-feira (4), com os dois países a trocarem ataques no estratégico Estreito de Ormuz e os Emirados Árabes Unidos a reportarem ataques pela primeira vez desde que a trégua foi declarada há quase um mês

Um dia depois do Presidente Donald Trump ter anunciado uma operação para escoltar navios retidos através do estreito, a Fox News citou-o a ameaçar que o Irão seria “varrido da face da Terra” caso atacasse navios norte-americanos.

O Irão mostrou-se indiferente às ameaças e prometeu continuar a exercer controlo sobre o Estreito de Ormuz, a estreita via marítima por onde passava um quinto do petróleo mundial antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro.

Um almirante norte-americano afirmou que as forças dos EUA afundaram seis pequenas embarcações iranianas. A república islâmica negou, na terça-feira, que qualquer navio de combate tenha sido atingido, mas acusou os Estados Unidos de matar civis em embarcações.

As forças norte-americanas “atacaram duas pequenas embarcações que transportavam pessoas… martirizaram cinco passageiros civis e devem ser responsabilizadas pelo seu crime”, publicou a televisão estatal iraniana no Telegram.

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Os Emirados Árabes Unidos, aliado próximo dos EUA e parceiro árabe fundamental de Israel, afirmaram ter sido alvo de uma vaga de mísseis e drones provenientes do Irão. “Estes ataques representam uma escalada perigosa e uma transgressão inaceitável, constituindo uma ameaça direta à segurança, estabilidade e integridade territorial do Estado”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados em comunicado.

Um ataque contra uma instalação energética no emirado de Fujairah feriu três cidadãos indianos, indicaram as autoridades dos Emirados. Duas pessoas ficaram também feridas quando um edifício residencial foi atingido em Bukha, em Omã, ao longo da costa do Estreito de Ormuz, segundo os meios de comunicação estatais.

Os preços do petróleo subiram após o ataque nos Emirados, com o contrato internacional de referência Brent para entrega em julho a disparar mais de 5%. O aumento dos custos energéticos para os consumidores desde o início do conflito tem causado impactos económicos a nível global e representa um desafio político para Trump a poucos meses das eleições legislativas.

Quatro mísseis de cruzeiro foram lançados a partir do Irão, tendo três sido intercetados com sucesso e outro caído no mar, segundo o Ministério da Defesa dos Emirados. O Irão lançou também drones contra um petroleiro associado à empresa estatal ADNOC, segundo as autoridades dos Emirados.

Two men sitting in a skiff are seen fishing near a vessel anchored in the Strait of Hormuz on May 4, 2026 (Photo by Amirhossein KHORGOOEI / ISNA / AFP)

Um alto responsável militar iraniano não negou os ataques, mas afirmou que a república islâmica não tinha “qualquer programa pré-planeado para atacar as instalações petrolíferas em causa”.

“O que aconteceu foi resultado do aventureirismo militar dos Estados Unidos para criar uma passagem para que navios transitassem ilegalmente” pelo Estreito de Ormuz, afirmou o responsável, citado pela televisão estatal. “As forças militares dos EUA devem ser responsabilizadas”, acrescentou.

No entanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi – considerado um moderado no sistema político iraniano – afirmou que os confrontos no estreito demonstram que “não existe solução militar para uma crise política” e destacou os esforços de mediação do Paquistão.

“Os Estados Unidos devem evitar ser arrastados novamente para um atoleiro por interesses alheios. O mesmo se aplica aos Emirados. O ‘Projeto Liberdade’ é um projeto de impasse”, escreveu na rede X.

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Trump tem insistido que o Irão reabra o Estreito de Ormuz – que estava aberto antes da guerra e que Teerão considera um dos seus principais instrumentos de pressão. No domingo, Trump anunciou o chamado “Projeto Liberdade” para guiar navios de países neutros para fora do Golfo, classificando-o como um esforço humanitário para ajudar as tripulações retidas.

No entanto, continuam por esclarecer vários detalhes sobre o funcionamento do plano e o tipo de apoio que os Estados Unidos irão prestar. O Comando Central dos EUA indicou na segunda-feira que ‘destroyers’ (contratorpedeiros) com mísseis guiados atravessaram o estreito e que, como primeiro passo do “Projeto Liberdade”, dois navios mercantes com bandeira norte-americana saíram do Golfo.

Os Guardas Revolucionários iranianos negaram essa versão, afirmando: “Nenhum navio comercial ou petroleiro atravessou o Estreito de Ormuz nas últimas horas”. Seul informou na segunda-feira que uma embarcação sul-coreana foi atingida por uma “explosão e incêndio” no estreito.

Trump procurou minimizar os ataques iranianos, escrevendo nas redes sociais que o Irão “disparou alguns tiros”, mas que causaram poucos danos.

A 29 de abril, mais de 900 embarcações comerciais encontravam-se no Golfo, segundo a empresa de inteligência marítima AXSMarine. A diplomacia entre Washington e Teerão permanece bloqueada desde o cessar-fogo, com os Estados Unidos a cancelarem por duas vezes planos para novas negociações no Paquistão e Trump a manifestar dúvidas sobre propostas iranianas.

Outro cessar-fogo, no Líbano, também está sob pressão, após Israel ter bombardeado intensamente o território e lançado operações terrestres em resposta a ataques do Hezbollah, apoiado pelo Irão. Mais de 2.700 pessoas morreram nos ataques israelitas, segundo o Ministério da Saúde libanês.

Combatentes do Hezbollah e forças israelitas voltaram a confrontar-se no sul do Líbano na segunda-feira, com o exército israelita a reportar ferimentos moderados em dois soldados.

O Presidente libanês, Joseph Aoun, apelou a um acordo de segurança e ao fim dos ataques israelitas antes de qualquer encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, uma reunião potencialmente histórica proposta por Trump para este mês na Casa Branca.

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