A trégua, que Trump indicou começar à meia-noite local no Líbano e em Israel (05h00 em Macau), surge numa altura em que Washington intensifica os esforços para alcançar um acordo que ponha fim à guerra com o Irão, com Teerão a insistir que um cessar-fogo no Líbano deve fazer parte de qualquer entendimento.
Ouviram-se disparos nos subúrbios do sul de Beirute, bastião do Hezbollah, no momento em que o cessar-fogo entrou em vigor – aparentemente celebrações espontâneas, embora tal não tenha sido confirmado.
A guerra no Médio Oriente começou quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão a 28 de fevereiro, tendo o Líbano sido arrastado para o conflito quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel a 2 de março. Desde então, ataques israelitas no Líbano causaram mais de 2.000 mortos e deslocaram mais de um milhão de pessoas, enquanto forças terrestres israelitas invadiram o sul do país.
Com a entrada em vigor da trégua, o exército israelita afirmou ter atingido mais de 380 “alvos da organização terrorista Hezbollah no sul do Líbano” e disse manter-se em “alerta máximo” para retomar ataques.
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O líder norte-americano afirmou que o acordo para suspender as hostilidades surgiu após contactos telefónicos “excelentes” com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o Presidente libanês, Joseph Aoun.
“Estes dois líderes concordaram que, para alcançar a PAZ entre os seus países, irão iniciar formalmente um cessar-fogo de 10 dias às 17h00 EST”, ou 05h00 em Macau, escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.
Posteriormente, indicou esperar que Netanyahu e Aoun visitem a Casa Branca “nos próximos quatro ou cinco dias”. Um encontro presencial de alto nível entre as lideranças de Israel e do Líbano seria um momento decisivo para a região.
Um porta-voz hospitalar israelita indicou que três pessoas ficaram feridas na quinta-feira, pouco antes do início da trégua. Um ataque israelita à localidade de Ghazieh, no sul do Líbano, matou pelo menos sete pessoas e feriu 33, segundo o Ministério da Saúde libanês.

Um simpatizante do Hezbollah, com uma criança aos ombros, celebra o cessar-fogo com Israel em Sidon, na madrugada de 17 de abril de 2026. (Fotografia: MAHMOUD ZAYYAT / AFP)
Netanyahu afirmou que o cessar-fogo representa uma oportunidade para um “acordo de paz histórico” com Beirute, mas insistiu que o desarmamento do Hezbollah é uma condição prévia. Trump referiu que o Hezbollah está incluído no cessar-fogo, embora o Departamento de Estado dos EUA indique que o acordo compromete o Líbano a desmantelar o grupo apoiado pelo Irão.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, saudou a trégua e apelou a “todos os intervenientes para que a respeitem plenamente”, incluindo o Hezbollah.
Em Beirute, a dona de casa Jamal Shehab, de 61 anos, aplaudiu o cessar-fogo. “Estamos muito felizes por ter sido alcançado um cessar-fogo no Líbano, porque estamos cansados da guerra e queremos segurança e paz”, afirmou.
Sentado num café em Beirute, o advogado Tarek Bou Khalil disse à AFP que “é sabido que Trump não é totalmente fiável, e Netanyahu não pode ser confiado”. “Mas sabemos que a pressão da guerra com o Irão e os erros de Netanyahu e do exército inimigo no sul do Líbano os forçaram a aceitar um cessar-fogo”, acrescentou.
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Trump falou sobre a trégua com jornalistas ao sair da Casa Branca para uma viagem a Las Vegas. “É muito entusiasmante”, disse, acrescentando: “Hoje haverá um cessar-fogo, que incluirá o Hezbollah.”
Mais tarde, afirmou que o Líbano “irá tratar do Hezbollah”, acrescentando acreditar que o grupo apoiado por Teerão respeitará o acordo.
Um deputado do Hezbollah disse à AFP que o grupo irá “aderir cautelosamente” ao cessar-fogo se Israel cessar os ataques. Ibrahim al-Moussawi agradeceu ao Irão pela pressão exercida a favor do Líbano, afirmando que “o cessar-fogo não teria sido possível sem o Irão considerar esta trégua equivalente ao fecho do Estreito de Ormuz”.
Netanyahu afirmou que Israel concordou com a trégua, mas manterá uma “zona de segurança” de 10 quilómetros ao longo da fronteira sul do Líbano. Acrescentou que Israel impôs duas condições: o desarmamento do Hezbollah e um acordo de paz duradouro “baseado na força”.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, saudou o anúncio do cessar-fogo, afirmando que a trégua era uma “exigência central do Líbano desde o primeiro dia da guerra” entre o Hezbollah e Israel.
Antes da entrada em vigor do cessar-fogo, o gabinete de Aoun agradeceu a Trump pelos seus “esforços” para garantir a trégua, mas rejeitou um pedido para um contacto direto com Netanyahu, segundo uma fonte oficial.
O cessar-fogo surge após um encontro entre os embaixadores de Israel e do Líbano em Washington esta semana – o primeiro desde 1993. A trégua poderá também reforçar os esforços de Trump para alcançar um acordo com o Irão.
O Presidente norte-americano afirmou que Washington está “muito próximo” de um acordo de paz com Teerão, após seis semanas de conflito, e indicou poder deslocar-se ao Paquistão para assinar o entendimento.