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Apenas 23% dos habitantes de Hong Kong desejam ter filhos

Apenas 23% dos habitantes de Hong Kong desejam ter filhos, indica um inquérito que apontou como maior obstáculo a pressão económica na região, que em 2025 registou o menor número de nascimentos de sempre

Lusa - Macau

A Associação de Desenvolvimento das Mulheres de Hong Kong (HKWDA, na sigla em inglês) indicou, na segunda-feira, que 98.7% dos 2.413 inquiridos, entre os 19 e os 49 anos, identificaram a pressão económica como a principal barreira para ter filhos.

Numa conferência de imprensa, a associação acrescentou que 92.7% mencionaram os problemas de habitação como um obstáculo, seguidos por uma agenda de trabalho intensa (80.6%). A HKWDA sublinhou que a percentagem de habitantes que manifestaram interesse em ter filhos foi inferior à registada nos inquéritos anteriores, que oscilaram entre 24% e 31% desde 2022.

Em 2023, o Governo da região lançou um subsídio único de 20 mil dólares de Hong Kong (cerca de 2.170 euros) a novos pais, para incentivar as famílias a terem filhos, num programa com a duração de três anos.

O Executivo previu que a medida ia ajudar o número anual de nascimentos a atingir 39 mil, mais 20% do que em 2022. Mas o total de recém-nascidos ficou-se por 33.200 em 2023 e 36.700 em 2024.

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Karen Law Yuen-pui, vice-presidente da HKWDA, disse na conferência de imprensa que o subsídio “teve inicialmente um efeito encorajante a curto prazo”, mas que problemas estruturais mantêm. A dirigente apontou como exemplo a habitação em Hong Kong, “que desencoraja ainda mais os casais jovens que vivem em apartamentos minúsculos ou em apartamentos subdivididos a terem filhos”.

A associação alertou que o desejo de ter filhos poderá “diminuir significativamente” em 2026, devido a vários fatores, “incluindo a atual conjuntura internacional de crise”. Karen Law defendeu que a medida mais eficaz para inverter a situação passa por reforçar os cuidados infantis, incluindo mais vagas e subsídios para creches, serviços pós-escolares e amas comunitárias.

Em 2025, Hong Kong registou cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre, e também aquém do total de mortes: 50 mil. O anterior mínimo histórico, 32.500 nascimentos, tinha sido fixado em 2022, altura em que Hong Kong vivia em plena pandemia da covid-19.

Em setembro, o líder do Governo, John Lee Ka-chiu, anunciou que, a partir de 2026, a isenção fiscal de 130 mil dólares de Hong Kong (quase 14.100 euros) para novos pais ia ser prolongada de um para dois anos após o nascimento.

No ano passado, também a vizinha região chinesa de Macau registou 2.871 recém-nascidos, o menor número em quase meio século, e a mais taxa de fecundidade do mundo.

Em 2025, a China continental registou 7,92 milhões de nascimentos, um novo recorde negativo desde o ano da fundação da República Popular da China, em 1949. A taxa de natalidade também caiu para mínimos históricos, com 5,63 por cada mil pessoas.

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