Wang Yi afirmou igualmente que o Conselho de Segurança das Nações Unidas, do qual a China é membro permanente com poder de veto, “deve impedir a escalada do conflito”, depois de ter conversado por telefone com os homólogos saudita, alemão e da União Europeia (UE), anunciou a televisão estatal chinesa CCTV.
”O ataque militar lançado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão não foi autorizado pelo Conselho de Segurança e viola claramente o direito internacional”, disse Wang ao homólogo alemão, Johann Wadephul, durante a conversa telefónica, segundo a CCTV.
”O Conselho de Segurança deveria empenhar-se em resolver a situação, não em conferir uma aparência de legitimidade a atos militares não autorizados e, certamente, não em intensificar ainda mais o conflito”, afirmou ainda Wang numa conversa telefónica separada com a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.
Pequim é um parceiro próximo do Irão e o principal comprador de petróleo iraniano transportado na sua maior parte pelo Estreito de Ormuz, alvo de um bloqueio por parte do regime iraniano em resposta à ofensiva israelo-americana.
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No entanto, a China também mantém laços económicos estreitos com os países do Golfo e tem condenado repetidamente os ataques levados a cabo por Teerão contra os territórios vizinhos.
No âmbito destas conversas, Johann Wadephul, disse por sua vez ter instado Wang Yi a exercer influência sobre o Irão para que se atinja uma solução negociada do conflito que começou a 28 de fevereiro e de modo a desbloquear o Estreito de Ormuz.
“A Alemanha e a China pretendem restabelecer a livre navegação no Estreito de Ormuz. Concordamos que os Estados individuais não devem controlar as rotas marítimas nem impor tarifas pelo seu trânsito”, assinalou o ministro alemão na rede social X.
Wadephul indicou que “há décadas que o Irão se comporta de forma hostil para com os seus vizinhos e põe em risco a paz e a segurança com o seu programa nuclear e de mísseis”.
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A China, continuou o ministro alemão, “pode influenciar de forma construtiva o Irão” para que haja “uma solução negociada e o fim das hostilidades contra os países do Golfo Pérsico”.
Já Kaja Kallas disse que durante a sua chamada telefónica com Wang Yi foram debatidas a situação no Irão, o seu “impacto na economia global e na segurança energética”, mas também as relações entre a UE e a China.
Kallas acrescentou na rede social X que a UE “apoia todos os esforços diplomáticos” para alcançar o fim do conflito e salientou que os “ataques contra civis e infraestruturas civis têm de cessar”.
“Os ataques iranianos a navios civis, e a ameaça de novos ataques, levaram o tráfego no Estreito de Ormuz a uma paralisação quase total. É por isso que o restabelecimento da liberdade de navegação segura e sem restrições no estreito, em conformidade com o Direito do Mar, constitui uma prioridade urgente”, concluiu.
Os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, uma ofensiva militar contra o Irão, que retaliou com o encerramento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, e ataques a infraestruturas militares, civis e energéticas na região, em particular relacionadas com interesses norte-americanos.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.