O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou num discurso à nação, no dia 1, que os Estados Unidos estão “perto de cumprir” os seus objetivos na guerra contra o Irão, numa altura em que os mercados globais reagem com subida do preço do petróleo e queda das bolsas asiáticas.
Num pronunciamento televisionado, Trump indicou que os ataques nas próximas duas a três semanas serão de “força extrema”, reforçando a ideia de uma fase final do conflito. “Esta noite, tenho o prazer de dizer que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase cumpridos”, afirmou.
“As nossas forças armadas obtiveram vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha”, acrescentou, ao mesmo tempo que ameaçou intensificar a ofensiva: “Nas próximas semanas, vamos fazê-los regressar à Idade da Pedra”.
Apesar do tom confiante, o discurso não conseguiu acalmar os mercados energéticos. O preço do petróleo Brent, que já rondava os 100 dólares (86,6 euros) por barril antes da intervenção, subiu cerca de 4% após o discurso, atingindo os 105,38 dólares (91,26 euros).
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A instabilidade está diretamente ligada ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do abastecimento energético mundial. A via marítima tem estado praticamente encerrada desde o início do conflito, a 28 de fevereiro, quando o Irão retaliou contra ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Trump afirmou que a responsabilidade pela segurança da rota deverá recair sobre outros países dependentes do petróleo transportado na região. “Os países que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz precisam de cuidar dessa passagem”, declarou.
Ao mesmo tempo, os mercados financeiros asiáticos reagiram negativamente ao agravamento das tensões. As principais bolsas da região inverteram ganhos iniciais e registaram quedas significativas.
O índice Nikkei 225, no Japão, recuou 1.5%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, caiu 2.6%. Já o Hang Seng, em Hong Kong, desvalorizou 1%. A volatilidade tem marcado os mercados asiáticos desde o início da guerra, refletindo a forte dependência energética da região em relação ao Médio Oriente.
Trump voltou também a criticar os aliados da NATO por não assumirem um papel mais ativo no conflito, insistindo que os Estados Unidos têm capacidade para agir sozinhos. “O Irão ficou praticamente devastado. A parte mais difícil já passou”, afirmou.
O Presidente elogiou ainda Israel e os países do Golfo, destacando o seu papel no conflito, mas não abordou soluções diplomáticas concretas nem o futuro do programa nuclear iraniano.
O discurso, que durou menos de 20 minutos, surge numa altura em que a guerra entra no segundo mês, sem sinais claros de desescalada e com impacto crescente na economia global, nos preços da energia e na estabilidade dos mercados internacionais.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, no seu discurso à nação na quarta-feira, dia 1 (Vídeo: AFP).