A China e o Reino Unido acordaram em desenvolver uma parceria estratégica abrangente de longo prazo e assente na consistência, no âmbito da visita oficial do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a Pequim, a primeira de um chefe de governo do Reino Unido em oito anos. O entendimento foi alcançado durante uma reunião com o Presidente chinês, Xi Jinping, num contexto internacional marcado por instabilidade e mudanças profundas.
Durante o encontro, Xi Jinping sublinhou que, enquanto membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e grandes economias mundiais, China e Reino Unido têm a responsabilidade de reforçar o diálogo e a cooperação, contribuindo para a paz e a estabilidade globais e também promovendo o desenvolvimento económico e o bem-estar das populações de ambos os países.
Defendendo uma visão histórica mais ampla das relações bilaterais, o Presidente chinês apelou à superação das diferenças através do respeito mútuo, de forma a transformar o potencial de cooperação existente em resultados concretos. Xi reiterou ainda o compromisso da China com o desenvolvimento pacífico, afirmando que o país nunca iniciou guerras nem ocupou territórios estrangeiros, garantindo que o crescimento chinês não constitui uma ameaça para outros Estados.
No plano económico, Xi Jinping destacou que a cooperação sino-britânica deve basear-se no benefício mútuo e em resultados vantajosos para ambas as partes, defendendo o alargamento da colaboração em áreas como a educação, a saúde, as finanças e os serviços.
Apontou igualmente setores estratégicos para o futuro, como a inteligência artificial, as biociências, as novas energias e as tecnologias de baixo carbono, incentivando a investigação conjunta e a aplicação industrial.
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O Presidente chinês manifestou ainda a expetativa de que o Reino Unido proporcione um ambiente empresarial justo e não discriminatório às empresas chinesas, ao mesmo tempo que apelou ao reforço dos intercâmbios culturais e entre pessoas, incluindo a facilitação das deslocações. Nesse sentido, revelou que a China está a considerar a concessão de isenção unilateral de vistos a cidadãos britânicos.
Por seu lado, Keir Starmer transmitiu as saudações do rei Carlos III e salientou a importância da visita, acompanhada por uma delegação alargada de representantes dos sectores empresarial e cultural. O primeiro-ministro britânico afirmou que, num mundo volátil, é essencial construir uma parceria estratégica assente no respeito e na confiança mútuos.
Reiterou a posição britânica sobre Taiwan e manifestou interesse em aprofundar a cooperação com a China em áreas como o comércio, o investimento, as finanças, o ambiente e as alterações climáticas.
Starmer destacou ainda o papel de Hong Kong como ponte importante entre os dois países e defendeu o reforço dos contactos entre parlamentos e diferentes sectores da sociedade.
No mesmo dia, o primeiro-ministro britânico reuniu-se também com o chefe do Governo chinês, Li Qiang, que garantiu o compromisso de Pequim em proporcionar um ambiente favorável ao investimento estrangeiro. O encontro culminou na assinatura de vários acordos de cooperação em domínios como a economia, o comércio, a agricultura, a educação, os media e a regulação de mercado, sinalizando uma nova etapa nas relações sino-britânicas.