A Região Administrativa Especial de Macau chegou aos 26 anos num contexto muito diferente daquele que marcou o período inicial da transição. O tempo da consolidação institucional, da estabilidade política e do crescimento económico acelerado ficou para trás. Macau é hoje uma região madura, com estruturas consolidadas, mas também com desafios mais complexos, menos tolerantes a respostas simples e cada vez mais exigentes em termos de visão estratégica.
Durante mais de duas décadas, a RAEM beneficiou de um quadro de estabilidade raro na região, sustentado pelo princípio “Um País, Dois Sistemas”, por uma governação previsível e por um modelo económico altamente lucrativo. Esse percurso permitiu acumular reservas financeiras, melhorar infraestruturas e elevar significativamente o nível de vida médio da população. Esse legado é inegável e deve ser reconhecido.
Uma configuração institucional onde o Executivo assume um papel claramente dominante, coloca ainda maior responsabilidade sobre quem governa
Mas os aniversários servem, sobretudo, para balanços. E o balanço dos 26 anos revela também fragilidades persistentes. A excessiva dependência de um único setor, a dificuldade em diversificar a economia, a lenta adaptação do tecido produtivo e a perceção de distanciamento entre decisões políticas e preocupações quotidianas dos residentes continuam a marcar o debate público.
O novo ciclo político, com uma administração mais alinhada com o poder central e com uma configuração institucional onde o Executivo assume um papel claramente dominante, coloca ainda maior responsabilidade sobre quem governa.
Celebrar 26 anos da RAEM não deve ser apenas um exercício de evocação do passado, mas um momento para reafirmar compromissos. Compromisso com uma economia mais resiliente, com políticas públicas mais justas e criteriosas, com uma administração com uma visão de longo prazo que prepare Macau para um contexto regional e global cada vez mais competitivo e incerto.
Macau está num ponto de escolha. Entre a gestão confortável do presente e a construção exigente do futuro. Entre soluções imediatas e reformas estruturais. Entre a continuidade automática e a capacidade de adaptação. Aos 26 anos, a RAEM já não é jovem. É adulta. E como qualquer estrutura adulta, será julgada menos pelas intenções e mais pelas decisões que tomar agora.
*Editor-chefe do PLATAFORMA