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Vote Aqui

Guilherme Rego*

No dia 14 de setembro de 2025, Macau vai a votos para a oitava legislatura da Assembleia Legislativa, elegendo 14 deputados por sufrágio direto. Nesta edição do PLATAFORMA damos voz a três das seis candidaturas: a Associação dos Cidadãos Unidos de Macau, através de Lei Leong Wong, atual deputado; a Aliança de Bom Lar, encabeçada por Wong Kit Cheng, também deputada em funções; e a União para o Desenvolvimento, liderada por Ella Lei, igualmente deputada no hemiciclo cessante.

As restantes candidaturas terão o seu espaço na próxima edição do semanário. A ordem de publicação resulta apenas da prontidão com que cada lista respondeu ao pedido de entrevista. Até ao momento, apenas a lista Nova Esperança, liderada por José Pereira Coutinho, optou por não participar.

Para assegurar uma análise equitativa, o jornal submeteu a todas as listas exatamente as mesmas questões, incidindo na relação com o Governo, nas prioridades sociais e laborais, na necessidade de diversificação da economia e revitalização das PME, bem como no papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A exceção à regra foi a União para o Desenvolvimento, que não aceitou o formato proposto e, em alternativa, remeteu um comunicado de imprensa que serve de base ao artigo noticioso publicado na página 8.

Entre as candidaturas, sobressai um consenso quanto às prioridades: resolver problemas sociais, emprego dos residentes, diversificação económica e dificuldades das pequenas e médias empresas. Mas torna-se igualmente evidente que, para lá do diagnóstico, prevalece a confiança nos planos do Governo como principal resposta. Acontece que para a diversificação existe a estratégia “1+4”; para as PME, porém, continua a não existir uma política estruturada que vá além de medidas de apoio.

Há, em geral, o reconhecimento de que subsídios ao consumo e apoios às PME devem manter-se, mas também a perceção clara da sua ineficácia estrutural: aliviam sintomas, não tratam causas. É certo que essas políticas têm evitado falências imediatas e protegido empregos, mas não edificam novas bases para um futuro sustentável.

O essencial é distinguir entre a repetição do diagnóstico e a apresentação de soluções efetivas. É igualmente necessário reconhecer que estamos a comprar tempo sem criar futuro. Se os recursos públicos continuarem a ser canalizados sobretudo para adiar o fecho de pequenas e médias empresas, a diversificação económica não ganhará a velocidade que Macau precisa. O investimento permanecerá bloqueado em medidas de emergência, em vez de se orientar para novos setores; os recém-licenciados continuarão sem oportunidades na sua área de formação, empurrados para empregos de sobrevivência ou para a emigração; e as PME ficarão reféns de apoios conjunturais em vez de alcançarem sustentabilidade. O ciclo repete-se: adiam-se falências, mas adia-se igualmente a criação de uma economia capaz de gerar emprego qualificado e segurança social duradoura.

Sem uma economia mais diversificada e produtiva, o Estado não terá margem orçamental para responder às exigências sociais de uma população que envelhece a ritmo acelerado, enquanto a economia fora dos casinos continua a perder atratividade face à oferta mais competitiva da Grande Baía.

A nova Assembleia e este Governo terão, num curto espaço de tempo, de provar capacidade para inovar e romper com a inércia. O que Macau verdadeiramente exige são reformas estruturais que respondam às fragilidades persistentes.

*Diretor Executivo do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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