Início » Lei Leong Wong: Melhorar o bem-estar da população e reforçar a responsabilidade governativa

Lei Leong Wong: Melhorar o bem-estar da população e reforçar a responsabilidade governativa

Lei Leong Wong, candidato da Associação dos Cidadãos Unidos de Macau e atual deputado, aponta a falta de eficácia governativa e assegura que dará “prioridade aos problemas do quotidiano, nomeadamente cuidados aos idosos, emprego e habitação”, prometendo medidas práticas para responder às necessidades da população

Viviana Chan

Se for eleito, quais serão as suas principais prioridades durante o mandato? Como considera que os deputados devem atuar na próxima Assembleia Legislativa?

Lei Leong Wong: Como representantes do povo, os deputados devem ser pragmáticos e agir no interesse global da sociedade. Temos de usar os poderes que a lei nos confere para fiscalizar o Governo e promover o progresso social e o bem-estar dos cidadãos. Daremos prioridade aos problemas do quotidiano, nomeadamente cuidados aos idosos, emprego, habitação, saúde e preços dos bens.

Iremos pressionar o Governo para melhorar a reforma da administração e o mecanismo de responsabilização dos titulares de cargos, implementando o princípio “onde há poder, deve haver responsabilidade; onde há responsabilidade, ela deve ser assumida; e quando há falha no dever, deve haver responsabilização”, abrangendo os domínios político, administrativo, jurídico e moral.

A economia de Macau encontra-se numa fase de transição, enfrentando vários desafios além do Jogo. Que propostas específicas tem para promover um desenvolvimento mais sustentável e diversificado?

Lei Leong Wong: Macau depende há muito do Jogo, tornando a diversificação e a sustentabilidade uma prioridade. O Governo deve aproveitar os recursos existentes e alinhar-se com a política de diversificação. Na estratégia “1+4”, a construção de uma “Cidade de Espetáculos” é um elemento crucial. Macau, pela sua fusão de culturas oriental e ocidental, tem vantagens únicas. Através da integração inovadora com outras indústrias, os recursos culturais podem transformar-se em marcas ou projetos comerciais de propriedade intelectual.

Embora a indústria cultural seja parte essencial da diversificação e apresente crescimento estável, os grandes espetáculos internacionais são frequentemente dominados por equipas estrangeiras, limitando as oportunidades dos artistas locais. Propomos que o Governo reforce o apoio aos talentos e às indústrias das artes performativas locais. É essencial criar políticas de apoio e investimento em recursos para desenvolver várias áreas artísticas e criar uma indústria cultural com características próprias de Macau, ajudando a construir a “Cidade de Espetáculos”.

Que medidas defende para criar oportunidades de emprego e promover o desenvolvimento profissional? Como conciliar a atração de investimento e talentos estrangeiros com a proteção do emprego dos residentes locais?

Lei Leong Wong: As micro, pequenas e médias empresas sustentam grande parte do emprego mas enfrentaram sérias dificuldades após a pandemia, levando ao encerramento de algumas e à redução de postos de trabalho. Embora o Governo tenha lançado políticas de recuperação, a despesa média não relacionada com o Jogo caiu 13.2% no primeiro trimestre em termos anuais, mostrando que tais medidas ainda não tiveram impacto suficiente.

Temos insistido que o Governo regule a contratação de trabalhadores não-residentes em grandes empresas, para que apenas preencham lacunas da mão-de-obra local. O Governo deve ainda divulgar os números e tipos de postos não especializados ocupados por não-residentes que poderiam ser acessíveis a residentes, protegendo assim o emprego local. Propomos que as obras públicas deem prioridade às empresas locais, tornando este um critério-chave nos concursos.

Ao mesmo tempo, a diversificação deve valorizar a participação das empresas locais e do comércio de bairro, criando mais empregos. O Governo deve formular programas de formação para ajudar os residentes a adaptarem-se à transição económica e apoiar temporariamente os desempregados que tenham dificuldades na transição.

Quanto ao investimento estrangeiro, sugerimos a introdução de um modelo de “lista negativa” para agilizar a aprovação, atraindo capital de qualidade em setores estratégicos e incentivando parcerias com empresas locais, garantindo a proteção do emprego dos residentes.

As PME são um pilar essencial da economia. Que políticas sugere para ajudá-las a enfrentar desafios, inovar e crescer de forma sustentável?

Lei Leong Wong: Apesar do crescimento do turismo e da recuperação de setores relacionados, observa-se um paradoxo: pontos turísticos cheios, mas bairros comunitários desertos. As PME estão em dificuldades, e o encerramento de lojas tradicionais preocupa.

Estas empresas oferecem serviços de qualidade a preços razoáveis, mas têm pouca competitividade devido à sua localização, pequena escala e falta de infraestruturas. Representam mais de 90% das empresas e fornecem 60% do emprego; as suas dificuldades afetam o consumo e a confiança dos residentes. Propomos um plano de subsídios ao consumo para apoiar famílias vulneráveis e estimular a procura interna, aliviando as PME. A longo prazo, deve-se melhorar o planeamento urbano, integrando cultura gastronómica para atrair visitantes, promover características únicas de bairros locais e melhorar ambiente e transportes, impulsionando a recuperação económica.

O mercado habitacional enfrenta dilemas: preços em queda afastam investidores, mas os residentes (sobretudo os jovens) continuam sem conseguir aceder a casa. Como equilibrar a situação?

Lei Leong Wong: O Governo tomou medidas para garantir habitação, como rever a Lei da Habitação Económica, acelerar a construção de habitação social e lançar a Residência do Governo para Idosos. Porém, as rendas privadas continuam a subir, sobrecarregando famílias em lista de espera. Muitos residentes não conseguem comprar casa devido a salários estagnados, mudanças no setor ou desemprego.

As necessidades dos jovens não podem ser ignoradas, pois afetam a estabilidade social e os seus planos de vida. O presidente Xi Jinping sublinhou a importância de garantir que os residentes vivam com tranquilidade.

O segundo Plano Quinquenal termina este ano. Propomos rever as políticas habitacionais e formular novas respostas às mudanças sociais, incluindo: rever taxas da Residência do Governo para Idosos; concluir o estudo do regime de troca de habitação económica; e expandir a elegibilidade para habitação temporária após o cancelamento do projeto de residência em Seac Pai Van, permitindo aos jovens alugar e reduzir a pressão habitacional.

A integração na Grande Baía e o desenvolvimento de Hengqin são prioridades, mas muitos projetos permanecem pouco claros, enquanto o consumo local sai para fora de Macau. Como coordenar integração regional e diversificação local para gerar emprego e crescimento?

Lei Leong Wong: A participação ativa na Grande Baía e no desenvolvimento nacional é essencial para a diversificação e sustentabilidade. A nova estratégia “Macau + Hengqin”, apresentada pelo presidente Xi Jinping, aponta o caminho. O Governo deve aprofundar a cooperação com Zhuhai, acelerar a integração e usar Hengqin como suporte para a otimização económica.

O Plano Diretor de Hengqin prevê atrair residentes para trabalhar e empreender, permite a prática de profissionais estrangeiros e criou espaços de inovação e empreendedorismo jovem. Construindo um ecossistema completo, ajuda os jovens de Macau a beneficiar de políticas de apoio, desenvolver novas indústrias e criar emprego.

O Governo deve ainda criar um mecanismo de colaboração industrial transfronteiriça, explorar mercados do Sul Global, atrair empresas-âncora para formar clusters industriais distintos, oferecendo empregos de qualidade e promovendo um ciclo em que “as indústrias atraem talentos e os talentos impulsionam as indústrias”.

Sobre o papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa, como podem os deputados potenciar essa função?

Lei Leong Wong: O Plano de Desenvolvimento da Grande Baía apoia Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer e como plataforma, refletindo o posicionamento estratégico de Pequim e as vantagens únicas de Macau. O IPIM promove a cooperação entre PME chinesas e lusófonas.

No segundo Plano Quinquenal, há esforços para cultivar talentos bilingues em chinês e português, criar bases de formação, melhorar currículos em escolas públicas e apoiar escolas privadas no ensino do português. A cooperação será reforçada com a Feira de Cantão e a Expo Internacional de Importações da China, bem como em turismo, saúde, desporto e empreendedorismo jovem.

No âmbito do Fórum Macau, podem ser organizados ‘workshops’ sobre recuperação pós-pandemia e revitalização económica. Devemos também usar o Centro Colaborador da OMS para Medicina Tradicional para fomentar intercâmbio.

O desporto é outro meio eficaz de ligação. O Governo deve explorar as vantagens culturais dos países lusófonos para criar uma plataforma de intercâmbio juvenil em cultura e desporto.

O setor audiovisual pode ser um ponto de viragem para os intercâmbios: propomos desenvolver Macau como base de pós-produção, traduzir filmes promocionais para português e difundi-los nos países de língua portuguesa, reforçando o papel de Macau e o seu poder cultural.

Quais as suas recomendações para reforçar a segurança social (apoio a famílias, idosos e grupos vulneráveis)?

Lei Leong Wong: O Governo dá importância ao trabalho com idosos e crianças, mas é essencial implementar as políticas do planeamento à execução. Em 2024, Macau tinha 688.300 habitantes, dos quais 100.200 com 65 anos ou mais (14.6%), um aumento de 87% há dez anos.

Muitos idosos dependem da pensão de velhice com um valor inferior ao índice de Risco Social. Propomos otimizar o mecanismo de atualização, ligando-o ao valor de referência, criar um sistema de reforma abrangente e reforçar a proteção social. Defendemos também um “Fundo de Apoio”, para garantir que “os idosos são bem cuidados”.

Este ano há menos listas a sufrágio direto. Como reforçar a representatividade, a capacidade legislativa e a eficácia da Assembleia na fiscalização ao governo?

Lei Leong Wong: A falta de um mecanismo eficaz de comunicação levou a que muitas políticas relacionadas com o quotidiano não fossem promovidas adequadamente. Algumas foram mesmo contestadas pelo público na sua aplicação, prejudicando a confiança na governação. Embora vários serviços públicos tenham agora canais de recolha de opiniões, a resposta é insuficiente. Persistem práticas burocráticas e o princípio de “centrar-se nas pessoas” é apenas um slogan.

Há respostas evasivas a perguntas dos deputados, desrespeitando as funções de fiscalização previstas na lei. Para aumentar a eficácia, a Assembleia deve pressionar todos os serviços a criarem mecanismos eficazes de comunicação, recolher amplamente opiniões e, sobretudo em políticas de impacto social direto, responder com rapidez. Devemos implementar a filosofia de governação de “consultar o povo sobre a governação, sobre as suas necessidades e sobre as soluções”, alinhando as políticas com as expectativas da população.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website