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International Film Camp volta a Macau

Jovens cineastas de toda a Ásia estão convidados a passar uma semana em Macau para aprender com os melhores. As candidaturas terminam a 20 de julho, sendo que só há lugar para 16 candidatos. O PLATAFORMA falou com a equipa responsável pela edição deste ano para perceber mais sobre o International Film Camp, e o que pretendem dar às novas vozes do cinema, a partir de 11 de setembro

Jessica Lok

A Asian Film Awards Academy (AFAA) lançou oficialmente a segunda edição do International Film Camp (IFC), numa conferência de imprensa realizada a 20 de junho no The Langham, em Hong Kong.

Decorrendo de 11 a 15 de setembro nos resorts integrados da Sands China em Macau, o IFC 2025 oferece uma oportunidade rara para jovens cineastas de Macau, Hong Kong e de toda a Ásia colaborarem com profissionais de renome e desenvolverem os seus guiões com acompanhamento direto e intensivo.

Os participantes serão selecionados com base num guião original subordinado ao tema “O Meu Melhor Amigo”. Dezasseis finalistas integrarão o programa de cinco dias, que culmina com uma sessão de apresentação do guião.

Os vencedores poderão receber até 300.000 HKD em financiamento de produção, bem como apoio contínuo da AFAA para levar os seus projetos a audiências internacionais, nomeadamente através de festivais de cinema.

O mentor principal desta edição é o aclamado produtor de Hong Kong John Chong, cuja filmografia inclui mais de 100 títulos, entre os quais Cloud Atlas e a trilogia Infernal Affairs.

Chong afirma que o programa valoriza a experiência prática em detrimento da teoria. “Não nos focamos na investigação académica. Todos os nossos mentores são profissionais da indústria, produtores e realizadores com carreira consolidada”, explica, acrescentando que a edição deste ano reflete essa ambição: “Metade dos grandes nomes da indústria juntou-se ao International Film Camp, trazendo a sua experiência diretamente aos participantes.”

 

Embora Macau seja uma cidade pequena, as emoções das pessoas e as situações que enfrentam são universais. Espero que consigamos levar essas histórias, enraizadas em Macau mas com eco global, ainda mais longe.

Tracy Choi, Realizadora em Macau

Entre esses nomes está Stanley Kwan, um dos mais conceituados cineastas de Hong Kong, que conduzirá uma masterclass. Conhecido por obras cinematográficas que exploram a identidade e a emoção, Kwan partilha um princípio que costuma repetir aos jovens realizadores. “Digo sempre aos meus alunos e jovens realizadores uma frase que considero essencial: ‘Tão perto, e ainda assim tão longe; tão longe, e ainda assim tão perto.’ Acredito que isto é das coisas mais difíceis de alcançar para quem cria, mas também é algo que devemos perseguir – não nos perdermos nas nossas próprias emoções e sabermos recuar no momento certo para refletir sobre a nossa obra; sobre se o público ficará igualmente tocado.”

De Macau chega Tracy Choi, convidada especial desta edição. “Embora Macau seja uma cidade pequena, as emoções das pessoas e as situações que enfrentam são universais. Espero que consigamos levar essas histórias, enraizadas em Macau mas com eco global, ainda mais longe.”

Frankie Lee, um dos vencedores do IFC 2024, regressa este ano para partilhar a sua experiência. “Como éramos todos iniciantes e apaixonados por cinema, foi incrível ter a oportunidade de dedicar uma semana inteira apenas ao trabalho criativo. Durante esses sete dias que estive em Macau, tudo girava à volta do cinema. Pude concentrar-me por completo no meu projeto e experienciar o processo de apresentação do guião. Esse nível de foco é algo que não se encontra no dia a dia. Foi uma experiência verdadeiramente única.”

No lado da representação, Rachel Leung junta-se ao IFC 2025 como convidada especial. “A maioria dos jovens realizadores com quem trabalhei tem uma vontade muito forte de contar uma história,” diz. “Como atriz, o que mais procuro é viver diferentes vidas”, explicando que a comunicação é parte crucial do processo. “Cada departamento tem a sua especialização, mas o que torna o cinema um meio tão bonito é que, através da comunicação e da criatividade, conseguimos criar algo que vai além da nossa imaginação.”

Ao transformar Macau num centro de produção cinematográfica, estamos a promover o turismo cultural e a reforçar a visibilidade internacional da cidade.

Grant Chum, CEO e diretor executivo da Sands China

 

Na conferência de imprensa, Grant Chum, CEO e diretor executivo da Sands China, destacou o impacto cultural que o IFC traz para Macau. “O cinema é o melhor meio para contar a história de uma cidade,” afirma. “Ao transformar Macau num centro de produção cinematográfica, estamos a promover o turismo cultural e a reforçar a visibilidade internacional da cidade.”

O programa é organizado pela Asian Film Awards Academy e conta com o apoio do departamento para a Cultura, Desporto e Turismo de Hong Kong e do Instituto Cultural da RAEM. São patrocinadores a Sands China, Cultural and Creative Industries Development Agency, and the Film Development Fund, e o Film Development Fund. O Shaw Studios junta-se como parceiro oficial de pós-produção.

A edição anterior, em 2024, recebeu mais de 500 candidaturas. Entre os 16 concorrentes escolhidos para passar uma semana em Macau, oito foram depois financiados. Duas das curtas-metragens estrearam no Far East Film Festival em Udine, Itália. Outros seguiram para festivais na Malásia, Indonésia e Camboja.

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