O Teatro Dom Pedro V recebeu, no sábado (6), o recital “Viagem Vocal: Quatro Séculos de Música Lírica em Português”, integrado no programa “Junho, Mês de Portugal na RAEM 2026”. A iniciativa reuniu artistas de Portugal, Hong Kong e Macau numa celebração da tradição vocal lusófona, percorrendo repertórios que vão do século XVIII à atualidade.
Organizado pelo Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong e pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), o espetáculo contou com programação e coprodução da empresa local XCESSU e da cooperativa de ópera de câmara OperaLab, de Hong Kong. A iniciativa teve ainda a colaboração do Concurso Internacional de Canto Lírico Cascais Ópera e o apoio do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong.
O recital reuniu a soprano portuguesa Sílvia Sequeira, vencedora do primeiro prémio e do Prémio do Público na edição inaugural do Concurso Internacional de Canto Cascais Ópera, em 2024, a meio-soprano de Hong Kong Ashley Chui, distinguida em vários concursos internacionais, e o barítono de Macau Chris Kun Hang Iek, vencedor da categoria Vocal Aberta do 11.º Festival Internacional de Música de Hong Kong.
Os três intérpretes foram acompanhados pela pianista francesa Arièle Zanini, docente da Hong Kong Academy for Performing Arts e pianista principal da City Chamber Orchestra of Hong Kong.
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O programa procurou destacar uma vertente do património musical menos conhecida do grande público. Embora a canção em português não tenha alcançado a mesma projeção internacional das tradições líricas italiana, francesa ou alemã, desenvolveu-se ao longo de vários séculos em diferentes regiões do mundo lusófono.
A viagem musical começou com compositores luso-brasileiros dos séculos XVIII e XIX, entre os quais Marcos Portugal, António José da Silva “O Judeu” e José Maurício Nunes Garcia, figuras que testemunham uma época em que Portugal e Brasil partilhavam um espaço cultural comum.
O percurso prosseguiu pela transição para o século XX, marcada pela influência da ópera romântica europeia em compositores como Alfredo Keil e Alberto Nepomuceno. A segunda parte do recital incidiu sobre os séculos XX e XXI, com obras de nomes como Heitor Villa-Lobos, Fernando Lopes-Graça e Alexandre Delgado.
O programa incluiu ainda referências à produção musical de Macau, através da obra do padre Áureo e Castro, compositor ligado à história cultural da região.
Integrado nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o recital procurou reforçar os laços culturais entre diferentes comunidades da lusofonia, destacando a diversidade e a continuidade da criação musical em língua portuguesa ao longo de mais de quatro séculos.