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Companhias aéreas mantêm meta de emissões zero, mas a transição está longe do ritmo necessário

A principal associação mundial da aviação reconhece que o setor se desviou do caminho traçado para atingir a neutralidade carbónica em 2050. A escassez de combustíveis sustentáveis e os atrasos na renovação das frotas estão a dificultar a transição

Lusa

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês), que reúne as companhias responsáveis por cerca de 85% do mercado global de aviação, admitiu hoje (8) que está longe de cumprir as metas de descarbonização assumidas em 2021.

As companhias aéreas dificilmente conseguirão cumprir a meta de reduzir as emissões líquidas a zero até 2050, sem ajuda dos governos, reguladores, fabricantes de aeronaves e produtores de combustíveis verdes, segundo o diretor-geral da IATA.

“Não disse que não vamos cumprir as metas. Disse que ainda é possível fazê-lo, mas que claramente nos desviámos do caminho e que precisamos que todos os intervenientes se comprometam a contribuir para que possamos conseguir”, afirmou Willie Walsh em conferência de imprensa no Rio de Janeiro, Brasil, onde arrancou hoje a assembleia-geral anual da associação.

A IATA reúne mais de 370 companhias aéreas, responsáveis por cerca de 85% do mercado global de aviação. Assumindo que, sozinhas, as companhias aéreas não serão capazes, o responsável defendeu que se os outros intervenientes não assumirem os seus compromissos, não será culpa das companhias aéreas o incumprimento das metas estabelecidas em Boston em 2021.

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Willie Walsh justificou que os atrasos nas entregas por parte dos fabricantes impediram as companhias aéreas de substituir as suas aeronaves antigas, que consomem mais combustível e são mais poluentes, por aparelhos novos mais sustentáveis.

“Também estamos desapontados porque nenhum país está a alterar os seus sistemas de gestão do tráfego aéreo, algo que reduziria significativamente as nossas emissões brutas”, acrescentou.

Por outro lado, a IATA exigiu que os produtores de combustíveis cumpram o compromisso de aumentar a produção de combustível sustentável para a aviação (SAF, na sigla em inglês) que, atualmente, cobre apenas 0.8% do consumo total das companhias aéreas.

A produção de SAF deverá atingir em 2026 cerca de 2,4 milhões de toneladas, face a 1,9 milhões de toneladas em 2025 e 1 milhão de toneladas em 2024, segundo a associação.

Embora represente um aumento anual pelo segundo ano consecutivo, o crescimento continua muito abaixo do necessário para que o setor alcance as metas.

O transporte aéreo de passageiros – medido em passageiros-quilómetros pagos (RPK, na sigla em inglês) registou, em abril, uma queda de 3.4% face ao período homologo do ano passado. O fator de ocupação recuou 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior, para 83.1%.

Os dados contradizem o otimismo da IATA que, um mês antes, antecipava que o verão fosse período ativo para as viagens, apesar da guerra no Médio Oriente.

“Os dados avançados dos programas de voos mostram uma redução da oferta, indicando que as companhias aéreas estão a tentar encontrar um equilíbrio entre custos elevados de combustível e enfraquecimento da procura”, sublinhou o diretor-geral, que admitiu que “a situação do transporte aéreo continua altamente volátil”.

Um dos sinais da menor procura por viagens aéreas foi, por exemplo, a queda do tráfego doméstico nos Estados Unidos (13.6% do tráfego mundial), de 0.6% em abril, num país que não depende do Médio Oriente para o combustível de aviação.

O tráfego continuou a crescer em abril na Ásia-Pacífico (+1.7%) e na Europa (+0.8%), as duas regiões com maior volume de tráfego, sem compensar as quedas nas outras duas, a América do Norte (-0.3%) e o Médio Oriente (-46.6%).

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