A situação está a afetar turistas, companhias aéreas e autoridades aeroportuárias, num contexto em que o recém-implementado Sistema de Entrada/Saída da UE (EES) acrescenta verificações biométricas ao processo tradicional de controlo de passaportes.
O que os passageiros estão a enfrentar na prática
Relatos de aeroportos como Paris Charles de Gaulle, Frankfurt, Madrid, Amesterdão e Milão indicam que os tempos de espera são altamente variáveis, mas com picos recorrentes:
- 60 a 120 minutos em períodos moderados de tráfego
- 2 a 3 horas em horários de pico
- Casos pontuais acima das 3 horas em hubs congestionados
Em situações extremas, alguns passageiros relatam perda de voos e conexões, especialmente em chegadas simultâneas de vários voos intercontinentais, quando os balcões de controlo não conseguem absorver o volume.
Um relatório recente da associação aeroportuária ACI Europe confirma que vários aeroportos europeus estão a registar filas até 3,5 horas no pico da procura, com tendência de agravamento durante o verão .
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O fator estrutural: mais do que “simples filas”
O aumento dos tempos de espera não está apenas ligado ao volume de turistas. Três fatores estruturais estão a convergir:
1. Implementação do EES (Entry/Exit System)
O novo sistema da UE substitui o carimbo manual por:
- registo biométrico (fotografia + impressões digitais)
- registo digital de entradas e saídas de cidadãos não-UE
Embora o objetivo seja modernizar e reforçar segurança, o processo inicial de registo pode acrescentar minutos adicionais por passageiro, acumulando congestionamentos em massa.
2. Capacidade limitada nos picos
O problema central não é a média diária, mas sim os “picos de chegada simultânea”:
- múltiplos voos de longo curso a aterrar ao mesmo tempo
- filas que colapsam em cascata
- insuficiência de postos de controlo ativos em alguns aeroportos
3. Infraestrutura e staffing irregulares
Alguns aeroportos operam com:
- menos cabines abertas do que a procura exige
- sistemas biométricos ainda instáveis
- necessidade de fallback para processos manuais
Como os turistas estão a adaptar-se
Face à imprevisibilidade, as recomendações que se estão a tornar padrão incluem:
Chegar mais cedo
Companhias aéreas estão a aconselhar:
- 3 horas de antecedência para voos intraeuropeus e extra-Schengen
- margens adicionais para conexões
Preparação para espera longa
Sugestões recorrentes de operadores e tripulações:
- levar power banks
- água e snacks
- documentos preparados antes da fila
Evitar horários críticos
Os períodos mais problemáticos:
- finais de tarde
- fins de semana (especialmente quinta e domingo em alguns hubs turísticos)
- janelas de chegada de voos intercontinentais
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Companhias aéreas pressionam por ajustes
Várias transportadoras europeias têm alertado que o sistema, apesar de estratégico, está a gerar ineficiências operacionais reais, incluindo:
- perda de passageiros em conexões
- atrasos em cadeia
- voos a sair com lugares vazios devido a filas de imigração
Segundo operadores do setor, a situação levou a pedidos de:
- reforço temporário de pessoal
- maior flexibilidade operacional nos controlos
- em alguns casos, suspensão pontual de procedimentos biométricos em horários críticos
O paradoxo do verão europeu
O ponto crítico do debate é o contraste entre objetivo e realidade:
- Objetivo do EES: automatizar, acelerar e reforçar segurança
- Realidade inicial: maior fricção e tempos de processamento mais longos em períodos de pico
Autoridades europeias defendem que o sistema tende a estabilizar após fase de adaptação. Já operadores e associações alertam que, sem reforço estrutural, o verão de 2026 poderá consolidar um “novo normal” de filas longas na entrada e saída da Europa.