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PME sem benefícios significativos

As medidas “uma viagem por semana” para residentes de Zhuhai e “permissões de entrada múltipla” para residentes de Hengqin estão em vigor há quase três meses. No entanto, algumas lojas afirmam que o impacto é pequeno, e esperam que as medidas sejam alargadas a outras cidades da Grande Baía, de forma a atrair clientes com maior poder de compra

O volume de negócios no primeiro trimestre manteve-se semelhante ao do ano passado, ou até 10% inferior ao mesmo período de 2023, exceto no período do Ano Novo Chinês, que foi relativamente positivo, revelou o dono de uma loja de recordações. Apesar de um fluxo constante de clientes, o negócio não registou um crescimento significativo com as novas medidas. Embora reconheça que estas são benéficas, considera que não alavancam o consumo, já que os preços e rendimentos em Zhuhai são bastante diferentes dos de Macau. Além disso, os residentes de Zhuhai já conhecem bem os produtos de Macau, o que reduz a sensação de novidade. “Muitos residentes de Zhuhai vêm apenas passear por Macau, e poucos estão realmente dispostos a gastar dinheiro e fazer compras.”

Atualmente, o poder de compra dos turistas do interior da China continua fraco, pelo que o comerciante defende que Macau deve direcionar-se para clientes com maior capacidade de consumo. Sugere, assim, a expansão da política “uma viagem por semana” para Shenzhen, Guangzhou e até para toda a Grande Baía. Destaca ainda que os residentes da Grande Baía têm um forte poder de compra e maior interesse nos produtos típicos de Macau, o que poderia dinamizar a indústria das recordações. Além disso, espera que o setor do turismo continue a investir na promoção externa de Macau, para atrair mais visitantes, especialmente de outras províncias e do setor MICE.

Apesar da expectativa inicial de um aumento significativo de clientes após as novas medidas, a realidade foi diferente, revelou uma gerente de um restaurante no centro da cidade. Embora o fluxo de clientes nos restaurantes tenha aumentado em comparação com o ano passado, o valor médio de consumo por cliente não subiu. Explica que muitos turistas optam por refeições mais económicas, visitando lojas de comida rápida, e nos restaurantes pedem apenas um menu para dois ou três clientes. Isto significa que, apesar do aumento da clientela, o rendimento global dos restaurantes não cresceu na mesma proporção.

Além disso, alguns turistas com maior poder de compra preferem gastar dinheiro nos casinos, o que impacta negativamente os estabelecimentos de restauração. A gerente admite que o ambiente no setor da restauração continua difícil e espera que o Governo, para além das medidas de incentivo ao consumo local, se concentre em impulsionar os gastos dos turistas do interior da China.

Como exemplo, recorda que, no ano passado, a Direção dos Serviços de Turismo lançou uma campanha especial que incluía cupões de desconto eletrónicos através das plataformas de pagamento móvel da China, bem como promoções em restaurantes e entretenimento. Estas iniciativas ajudaram a estimular os gastos dos turistas, pelo que acredita que estratégias semelhantes deviam regressar.

Artigo publicado no âmbito da parceria com o Macau Daily News

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