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Macau quer atrair dívida internacional, mas emissões chinesas continuam a dominar o mercado

Macau vai estudar incentivos para atrair empresas e países estrangeiros ao mercado de dívida da região. O desafio passa por diversificar um mercado onde as entidades chinesas continuam a ter o maior peso

Lusa - Macau

O Governo de Macau vai estudar a criação de incentivos para encorajar empresas e países, incluindo dos mercados de língua portuguesa, a emitirem dívida na cidade. O líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, apresentou o terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico da região, que estará em vigor até 2030.

O documento promete “estudar a viabilidade” de medidas para subsidiar a emissão de obrigações, para atrair “emissoras de alta qualidade e investidores internacionais”.

Em novembro, o Chefe do Executivo sublinhou que o valor dos títulos de dívida emitidos em Macau já tinha ultrapassado 100 mil milhões de patacas (10,5 mil milhões de euros).

Mas Sam Hou Fai admitiu que a maioria das obrigações era das autoridades centrais ou locais chinesas, apesar de a cidade apontar os serviços financeiros entre a China e os Países de Língua Portuguesa como prioridade.

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O Plano Quinquenal defende a necessidade de “promover a participação dos países de língua portuguesa nas atividades de investimento e financiamento” na moeda chinesa, o renmimbi, em Macau.

No início do julho, o governador do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, anunciou que a dívida emitida em Macau poderá ser vendida no mercado da China continental.

O Plano Quinquenal promete “estudar ativamente a criação de mecanismos de interligação com o interior da China para produtos financeiros, nomeadamente na área de obrigações e fundos”.

O documento refere ainda que a zona económica especial da vizinha Hengqin pode servir “para orientar os fundos de Macau e do estrangeiro a participarem no mercado de fundos” da China continental.

Para isso, explica o plano, é preciso “tirar pleno partido” do mecanismo de Parceria Limitada Estrangeira Qualificada, que permite a investidores externos colocarem capitais nos mercados financeiros da China.

O banco do bloco BRICS, o Novo Banco de Desenvolvimento, anunciou em junho a primeira emissão de dívida em Macau, no valor de 50 milhões de dólares (43,9 milhões de euros).

A sucursal de Macau do Banco Industrial e Comercial da China, que organizou a emissão de dívida, informou em comunicado que o dinheiro será investido em “projetos de infraestruturas sustentáveis no Brasil”, sem revelar mais detalhes.

O regulador financeiro da região, a Autoridade Monetária de Macau (AMCM), revelou que a dívida foi “totalmente subscrita” pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

Este fundo foi criado há 10 anos pelo Banco de Desenvolvimento da China, um banco estatal, e pelo Fundo de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Macau, com um capital de mil milhões de dólares (875 milhões de euros).

Em janeiro, o CDB tornou-se o primeiro banco estatal chinês a emitir dívida em Macau, no valor de 5,5 mil milhões de yuan (710 milhões de euros), também para financiar projetos nos países de língua portuguesa.

Em janeiro de 2025, Henrietta Lau Hang Kun, dirigente da AMCM, disse que os bancos centrais de Angola e Timor–Leste estavam interessados em emitir dívida pública na região, para atrair investidores da China continental.

Em maio de 2019, Portugal tornou-se o primeiro país da zona euro a emitir dívida na moeda chinesa, no valor de dois milhões de renmimbi (256,4 milhões de euros).

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