Início » Não se sabe se Rangel vem

Não se sabe se Rangel vem

O Governo de Portugal caiu na última terça-feira, depois de uma moção de confiança ter sido chumbada no Parlamento. Novas eleições deverão ser marcadas para maio e toda a agenda que não seja considerada prioritária será cancelada

Paulo Rangel, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, tinha inicialmente marcada uma viagem a Macau e à China no final do corrente mês, mas essa viagem fica agora em standy, embora, para já, a mesma não tenha sido anulada, como confirmou o MNE ao PLATAFORMA.

Em Macau, Paulo Rangel deveria ter um encontro com o chefe do Executivo Sam Hou Fai e manter reuniões com membros da comunidade portuguesa e reuniões de trabalho com o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Alexandre Leitão.

Este, refira-se, seria o primeiro encontro de um ministro do Governo Português com o novo chefe do executivo, Sam Hou Fai.

De pé, contudo, fica a viagem de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente de Portugal, a Macau, essa marcada apenas para junho. O líder português viajaria também acompanhado de Paulo Rangel, e outros membros do Executivo, mas agora volta tudo à estaca zero no que diz respeito à presença de elementos do governo no antigo território português.

A viagem de Marcelo a Macau está inserida nas cerimónias que vão decorrer na RAEM para assinalar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Moção chumbada

A Assembleia da República chumbou terça-feira a moção de confiança apresentada pelo Governo, provocando a sua demissão.

Votaram contra a moção de confiança o PS, Chega, BE, PCP, Livre e deputada única do PAN, Inês Sousa Real. A favor estiveram o PSD, CDS-PP e a Iniciativa Liberal.
De acordo com a Constituição, a “não aprovação de uma moção de confiança” implica a “demissão do Governo”.

O executivo de Luís Montenegro fica agora em gestão, limitado aos atos estritamente necessários ou inadiáveis à continuação da sua atividade.

À saída do plenário, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, confirmou aos jornalistas que iria informar o Presidente da República do resultado da votação: “Naturalmente que sim”, disse.

“As coisas são o que são, nós tentamos de tudo”, declarou ainda Luís Montenegro.

Depois de os 224 deputados terem ditado a queda do executivo, às 19h48, e o presidente do parlamento, José Pedro Aguiar-Branco, ter anunciado o resultado à câmara, ouviu-se apenas silêncio no hemiciclo, ao contrário do habitual.

Acusações à oposição

Após a rejeição da moção de confiança, o primeiro-ministro acusou hoje o PS de intransigência e defendeu que o Governo “tentou tudo até à última hora” para conciliar o pedido de comissão de inquérito dos socialistas e a continuação do executivo em funções.

Luís Montenegro falava aos jornalistas no parlamento, pouco depois de ter sido chumbada a moção de confiança ao Governo, que implicou a demissão do executivo minoritário PSD/CDS-PP.

O primeiro-ministro salientou que a proposta final do Governo apontava final de maio como prazo limite para as conclusões do inquérito, “quase 80 dias”, e a retirada da moção de confiança, contra os 90 dias propostos pelo PS, mas com uma comissão ainda sem data para arrancar e cujo prazo poderia ser prolongado.

“O PS manteve-se intransigente na sua proposta de ter uma comissão de inquérito prolongada no tempo, com isso querendo que a degradação política e todo o impasse gerado à volta da contaminação do trabalho governativo pudesse ser o mais longo possível”, acusou.

Montenegro foi questionado, por várias vezes, por que deixou para hoje essa tentativa de diálogo com o PS, tendo acabado por responder que “era este o momento onde todos tinham a oportunidade de assumir a sua responsabilidade”.

“Nós tentámos, a todo o custo, até à última hora, evitar a criação de eleições antecipadas no horizonte dos portugueses e da vida do país”, defendeu.

Entretanto, apesar de Marcelo Rebelo de Sousa dizer que está aberto a todas as hipóteses na sequência do provável chumbo desta moção, o chefe de Estado já está a preparar o calendário para umas eleições antecipadas e aponta para as duas primeiras datas possíveis: 11 e 18 de maio.

Luís Montenegro já assegurou a recandidatura e se as eleições se realizarem no início de maio, tudo indica que a viagem de elementos do governo a Macau, em junho, volte a colocar-se em cima da mesa.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website