Há muito que o Governo da RAEM se comprometeu com o combate à droga, e tem realizado muito trabalho de reabilitação com um foco na reintegração social, o que é louvável. No entanto, as mudanças neste universo são constantes, nomeadamente a sua natureza, facilidade no tráfico e conceitos internacionais em evolução, que também apresentam desafios ao mecanismo de prevenção de abuso de drogas em três níveis e à supervisão em Macau.
Nos últimos anos, várias novas drogas tornaram-se populares internacionalmente, com muitas a serem disfarçadas em snacks, cápsulas de café, etc. São menos tóxicas do que as drogas tradicionais, e muitos experimentam-nas por curiosidade em bares, festas privadas ou por persuasão de outras pessoas. Sem saber, acabam por ficar viciadas. Recentemente alguns infratores misturaram Etomidato em cigarros eletrónicos e usaram embalagens atrativas para convencer os jovens a experimentar. Estas novas drogas com embalagens enganadoras também fazem com que os utilizadores de drogas, especialmente os jovens, recusem procurar ajuda para o vício, pois não consideram estar a usar drogas. Mesmo que algumas pessoas estejam cientes do problema, têm medo de serem rotuladas como ‘viciadas’ e sentem vergonha de pedir ajuda. Como os utilizadores de drogas muitas vezes carecem de uma noção de doença e resistem a procurar ajuda, o Governo da RAEM deve introduzir mais medidas de intervenção precoce.
Segundo o ‘Sistema do Registo Central dos Toxicodependentes de Macau’, o número de utilizadores de drogas reportados em 2023 caiu 65% em comparação com o período pré-pandémico, e a situação geral é relativamente baixa. No entanto, comparando com os últimos cinco anos, as metanfetaminas são agora a principal droga de abuso, com o uso de canábis em ascensão. Atualmente, alguns países e regiões legalizaram o consumo de canábis, e vários subprodutos desta droga tornaram-se populares, como acessórios, sacos de chá, gomas, velas, etc., criando uma ‘economia da canábis’. A informação online sobre a canábis também influencia a perceção pública: muitas pessoas, especialmente os jovens, acreditam erroneamente que a canábis é inofensiva e não representa riscos, ignorando a sua toxicidade. Isto leva a que a experimentem levianamente quando saem de Macau para estudar ou viajar. Alguns acabam mesmo a trazer subprodutos de canábis para Macau, infringindo involuntariamente a lei.
Perante a tendência internacional de legalização da canábis e o impacto sobre os jovens da informação enganadora na internet, a educação pública e a divulgação devem ser reforçadas, sendo crucial providenciar informação precisa aos jovens. O Governo precisa de conceber e implementar uma série de campanhas de sensibilização para esclarecer o perigo de drogas como a canábis, com dados científicos e exemplos. É preciso aumentar a conscientização pública sobre a prevenção das drogas, especialmente entre os jovens.